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2007.08.26
por Miguel Torga
Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.
Posted at 20:02 by ntmad
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por Miguel Torga
Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.
Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.
Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!
Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.
Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!
E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.
Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!
A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.
Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!
Posted at 19:48 by ntmad
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2007.07.18
A SITUAÇÃO DA NOSSA REGIÃO, JUNTE-SE A NÓS!
Sessão preparatória do Encontro Regional proposto pela CTMAD, no dia 28 de Julho, às 9:30, no Auditório Municipal de Mirandela.
A HORA APROXIMA-SE !
Estamos no limiar de uma nova atitude em Trás-os-Montes e Alto Douro.
A vida de todos nós agrava-se. As aldeias e vilas continuam a desertificar-se. Os jovens, os recém licenciados, a seiva viva do nosso povo é obrigada a saír para o litoral ou para o estrangeiro. Perdemos gente e perdemos indtituições em cada distrito e na região.
O sobressalto positivo impõe-se. Por isso, Autarquias Locais, instituições ainda decisivas em cada terra, intelectuais, personalidades dos mais diversos quadrantes, as forças do trabalho e da inteligência, os sindicatos, as associações empresariais, culturais, sociais, desportivas e cívicas, os partidos políticos, as Casas e Associações Regionais e Concelhias representativas, sedeadas no nosso país e no estrangeiro, têm de unir-se e reunir-se o mais breve possível, na região, para analisarem a situação e decidirem o que vamos fazer para impedir que Trás-os-Montes e Alto Douro seja, a breve prazo, definitivamente sacrificada pelos que prometem e voltam a prometer e, afinal, só actuam para beneficiar o litoral, as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, os interesses dos que não privilegiam nunca um desenvolvimento sustentado e integrado.
Estamos no limiar de uma nova perspectiva e de uma nova acção, decisiva, para defendermos a nossa terra, cada uma das nossas terras, as nossas gentes, a nossa economia, identidade e cultura. Por isso, propomos que seja realizado um encontro em Outubro, para decidirmos o que vamos fazer por Trás-os-Montes e Alto Douro. Poderemos marcar um novo Congresso da região trasmontana e duriense, para realizarmos em 2008. Poderemos e deveremos estudar, marcar e preparar as iniciativas que entendermos adequadas, para que nunca mais nos impomham decisões perigosas e destruidoras do nosso futuro.
Para que tenhamos uma palavra firme, as palavras e os actos que entendermos levar a cabo em defesa do progresso da nossa terra.
Está nas nossas mãos e temos de avançar. Hoje, não há mais lugar para os titubeantes, para os que acabam sempre por concorrer para o reforço dos Terreiros do Paço que há em Lisboa e há em qualquer lado onde sopram os interesses centralistas e esvaziadores do interior do nosso país.
Aqui estamos, a propor medidas e acções. Primeiro, que nos encontremos, as forças vivas da região e da diáspora. Depois, que saibamos partir para a conquista dos nossos direitos, não abdicando dos deveres e das decisões que serão nossas, têm de ser nossas, finalmente.
A palavra de partida está dada. Que ninguém falte, ao nosso encontro de trasmontanos e durienses, de gente que abre a porta a todos, mas que também saberá fechá-la a quem nos trai e empobrece.
Posted at 07:51 by ntmad
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2007.06.17
Caros Amigos e Associados!
Os tempos que correm não mostram facilidades e a nossa CTMAD, para não fugir à regra, assiste, triste e desolada, à indiferença e até abandono de alguns associados que, parecendo incapazes de compreender as limitações, a maioria das quais são exteriores à Casa e alheias à Direcção, ou até de as aceitar, desistem com facilidade de aqui vir e uma boa quantidade esquece-se de lhe proporcionar os reduzidos meios a que se obrigaram.
A CTMAD, para além das festas anuais, não dá muito mais aos seus associados não porque falte vontade aos órgãos sociais mas, se bem ponderarem, hão-de reconhecer que as circunstâncias do espaço em que nos encontramos, a necessidade de preservar o descanso dos vizinhos e a pequenez das instalações impedem-nos de provocar movimentados convívios, de proporcionar lazer e diversão a partir dos quais se pode desencadear a receita que assegure as despesas e autonomia da Casa.
A Casa atravessa um período de excepcionais dificuldades e, ante elas, não lhes podemos virar as costas e por isso, com a vossa ajuda, assim o espero, estou certo que iremos ultrapassá-las apesar de, no mês de Abril, só se terem apurado 870 euros de quotas e no de Maio de 600.
Ora, como despesas mensais fixas temos, em salários e jornal, 1 600 euros mais as de água, luz, electricidade, correio e telefone, que são variáveis e são satisfeitas com a exploração do bar, digam-me amigos e associados que exercícios de engenharia financeira não teremos de fazer para manter esta Casa.
O elevador já funciona e, ante esta assinalável melhoria, bem espero que os associados regressem à casa e aqui venham, entre o mais, fazer as partidas de sueca, de damas, de xadrez e tudo o mais que entenderem dentro do racional convívio que a Casa Consente,
Para as senhoras bem poderá aqui haver lugar a um chá, dizer poesia, fazer uma reunião de amigas ou até de fazer trabalho voluntário a favor da CTMAD e da Região, nomeadamente, gizar a estrutura e modelo do IV Congresso Trasmontanoduriense pois já há muita gente a desejá-lo.
Interessante seria ver as mulheres da Nossa Terra a definirem os cordelinhos da magna assembleia da região e mostrarem que têm uma Alma Grande, apesar da Igreja, só no Concílio de Trento, em 1473, haver reconhecido que também a tinham.
E agora, que a meta da Regionalização ressuscitou, bem se pode apanhar o comboio e embarcar nessa aventura que é de e para todos nós tanto mais que já se ouvem os clamores dos antigos e egrégios Trasmontanodurienses e já se levantam as vozes que a reclamam.
O Congresso bem pode ser um instrumento valioso e um areópago onde se suscitem as questões próprias da regionalização com o acrescido conhecimento sobre a mesma.
Por isso amigas e amigos venham dar o vosso contributo, juntem-se ao Conselho Regional e ajudem a levantar a voz da Região e da CTMAD.
Posted at 11:57 by ntmad
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NOTÍCIAS DA CTMAD DE GUIMARÃES

É um facto que todas as Casas Regionais de Trás-os-Montes e Alto Douro espalhadas por Portugal e pelo estrangeiro não têm primado pelo diálogo e pelo intercâmbio, pese embora a criação, em 8 de Setembro de 2001, de uma Federação destinada a defender e valorizar a Região de Trás-os-Montes e Alto Douro e a manter os laços de solidariedade e de fraterna amizade e convívio entre todos os transmontanos e altodurienses.
É por isso que constituiu uma agradável surpresa a recepção do jornal da CTMAD de Guimarães - "ALÉM MARÂO – antes quebrar que torcer", mantendo-se, por esta via, ao menos, um laço de amizade que importa preservar e salientar.
Vêm-nos notícias da posse dos novos corpos sociais para o ano em curso, sendo a mesa da A. G. Presidida por Manuel Eusébio Macedo Ribeiro e a Direcção por Joaquim Silva Coutinho, informações acerca da programada visita anual a um concelho da Região, neste caso a Macedo de Cavaleiros, a referência elogiosa à C. M: de Vinhais por ter sido a única autarquia a apoiar a "CTMAD" de Guimarães, uma curiosa proposta de um pic-nic na praia, etc.
Oxalá a vitalidade da "CTMAD" de Guimarães perdure e seja exemplo para as demais Casas Regionais. Para além de votos de bom labor, a "CTMAD" de Lisboa expressa à sua congénere de Guimarães a sua solidariedade regionalista, ficando ao seu dispôr para a realização de eventuais acções conjuntas em prol do desenvolvimento da nossa Região.
Posted at 09:58 by ntmad
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1 DE JUNHO - DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

Esses olhos de sonhar, criança, deviam provocar a insurreição das consciências nos países ricos do norte.
Não basta termos bons sentimentos, termos sido bons e sabedores. O saber e o sentimentosolidário para com o nosso semelhante, para grande parte da Humanidade que vivena mais extrema miséria, deverá traduzir-se em acções que projectem, com carácter de urgência, um mundo bom.
Porque, este mundo, onde a voragem do lucrosem limites, por uns tantos predadores, que impiedosamente destroem Estado após Estado, devastam a natureza e os seres humanos, enchem-nos de vergonha. O Império da vergonha atinge vertiginosamente a ignomínia.
A 3 de Agosto de 1999, duas crianças, de 14 e 15 anos, com olhos de sonhar, no desespero dos seus aflitivos e desesperançosos dias de adolescentes africanos, sonharam a Europa. Numa madrugada de um sol nascente avermelhado, o Boeing 747 da Sabena aterrou às 6H15 no aeroporto de Bruxelas-Zaventem. Um controlador de fato-macaco branco deu volta ao aparelho e descobriu no tem de aterragem dois corpos de adolescentes negros, encolhidos, enregelados, vestidos apenas com uns simples calções, umas sandálias e uma camisa de manga curta. Estiveram expostos a temperaturas exteriores de 50 graus negativos. No bolso da camisa de um destes pequenos guineenses encontraram uma folha cuidadosamente dobrada. Essa ingénua carta dizia:
- " Portanto se virem que nos sacrificamos a arriscarmos a vida é porque sofremos demais em África e precisamos de vocês para lutar contra a pobrezae para pôr fim à guerra em África. Porém nos queremos estudar e pedimos que nos ajudem a estudar para sermos como vocês em África.
Finalmente pedimos imensa desculpa por termos ousado escrever esta carta a pessoas como os senhores, tão importantes, por quem temos tanto respeito. E não se esqueçam de que é a vocês que devemos queixarmo-nos da fraqueza da nossa força em África".
O Gabinete Europeu das Nações Unidas publicou o fac-símile desta carta, cf. E/CN.4/2000/52, Genebra, 2000.
Desde então, a voragem da mundialização multiplica por milhões as suas vítimas flutuando agonizantes num oceano imerso de miséria, com algumas ilhotas de prosperidade, riqueza e de indiferença aqui e ali.
Entre o dilema de morrer esperando a morte ou afrontá-la com uma réstia de esperança, muitos dos esfomeados da terra tentam atingir a "terra prometida".
Na fronteira do México com os EUA, nas redes electrificadas com extensão de quilómetros, no rio controlado pelos "rangers", no deserto desolador, morrem milhares de mexicanos e sul-americanos.
No Mediterrâneo e no Atlântico afundam-se barcaças repletas de africanos subsarianos, tendo mesmo sido encontrada à deriva, bem longe no Atlântico, uma barcaça com cadáveres mumificados.
Muitos destes africanos atingem a costa espanhola, a costa italiana, as ilhas Canárias, etc. As equipas de saúde tratam-nos e são depois devolvidos aos seus países onde tentarão de novo alcançar a "terra prometida" porque a fome não é, nunca será, o destino de um homem.
Falemos então dos que vão morrer de fome e suas consequências directas.
"Prouvera a Deus que eu não soubera tanto", como disse Pessoa, mas sei. E o que sei, não sendo tudo, é já estarrecedor.
Todos os sete segundos, na Terra, uma criança abaixo dos dez anos, morre de fome. Isto é, se eu, se tu, fizermos uma inspiração profunda, ao expirarmos o ar, mais uma criança, algures, morreu de fome. Oiçam como eu respiro: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Ininterruptamente, a este ritmo, morre de fome uma criança.
Segundo o Relatório de 2000 da FAO (Organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura), em cada dia, no Planeta Terra, a nossa Casa Comum morrem de fome e suas consequências imediatas cerca de 100 000 seres humanos (Cem mil silenciados massacres). 826 milhões de pessoas estão hoje em dia crónica e gravemente sub-alimentadas. Destas, 34 milhões vivem nos países economicamente desenvolvidos do Norte. 515 milhões vivem na Ásia, representando 24 por cento da população e 186 milhões destes seres humanos vivem na África subsariana, numa percentagem de 34 por cento de população. E destes, segundo a FAO, grande parte sofre de "fome extrema".
Sabemos que uma criança com graves carências alimentares desde o nascimento (e gestação) até aos 5 anos, sofrerá sequelas para o resto da vida porque a fome severa, sofrida nos primeiros anos, provoca danos irreparáveis nas células cerebrais.
São os milhões de cranças a que Régis Debray chama "os crucificados à nascença".
E tudo isto se passa num planeta a transbordar de riqueza.
Segundo os especialistas da FAO a Terra poderia alimentar "normalmente" 12 mil milhões de seres humanos, fornecendo-lhes o equivalente às 2700 calorias necessárias por dia. A população mundial actual é pouco mais de 6 mil milhões.
Em contrapartida, nos chamados países ricos, onde os subalimentados são 34 milhões, as doenças cardiovasculares fazem cada vez mais vítimas devido à alimentação excessiva e, a obesidade, designadamente a infantil, tornou-se um problema de saúde pública.
Os alimentos-desperdícios dos ricos, que vivem fortificados, prisioneiros das suas próprias riquezas, são ansiosamente procurados por crianças nas montanhas de detritos nos arredores de Manila, conhecidas por Smokey Mountains, nas "barrilladas" do Perú, nos arredores de Carachi e de outras grandes cidades da Ásia...
Enquanto isto, em vários países ricos, um quarto dos cereais produzidos no mundo é todos os anos utilizado para alimentar milhões de bois e de vacas que se irão transformar em super/maxi/hamburguers.
Os 225 patrimónios privados mais elevados do mundo atingem em conjunto 1 bilião de dólares. Esta soma corresponde ao rendimento anual acumulado dos 2,5 mil milhões de pessoas mais pobres do Planeta, ou seja, 47 por cento da população total.
No Brasil, 2 por cento dos proprietários fundiários detem 43 por cento das terras aráveis. Quatro milhões e meio de famílias de camponeses sem terra vagueiam humilhados e miseráveis pelas estradas desse imenso e rico país.
Empresas transcontinentais detêm, só por si, 555 mil milhões de dólares de reservas e os seus meios ultrapassam as suas próprias capacidades de investimento. Distribuem aos seus accionistas dividendos fabulosos e aos seus gestores gratificações astronómicas.
Grande parte destas informações, limitadas por retratar de um artigo, foram recolhidas em livros da autoria de Jean Ziegler, Relator Especial da Comissão dos Direitos do Homem (das Nações Unidas), sobre o Direito à Alimentação.
Este autor é um combatente da esperança. E exorta-nos à esperança, actuante. Porque perante o escândalo destas e doutras verdades, ninguém pode ficar indiferente e passivo.
Teremos que agir.
Deus não tem outras mãos senão as nossas.
Para melhor conhecer Jean Ziegler ler:
"A fome no mundo explicada ao meu filho", da Terramar;
"Os Novos Senhores do Mundo e os seus opositores" da Terramar;
"O Império da Vergonha", da ASA.
"Gritos contra a Indiferença", de Fernando Nobre, Presidente da AMI, Edição do Autor e Temas e Debates, é outro livro essencial.
Posted at 09:47 by ntmad
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2007.06.16
CONVÍVIO ANUAL DOS AMIGOS DE CERVA E LIMÕES
por Sofia Miranda
Mais um ano…mais um mês de Maio…mais um convívio de naturais e amigos de cerva e Limões. Parafraseando Camilo Castelo Branco numa das suas obras: “ali reuniu-se connosco uma estúrdia, que vinha dos lados de Cerva (…)”.
Apesar do S. Pedro (santo padroeiro da nossa terra) não ter estado do nosso lado, este foi sem dúvida o melhor convívio que realizámos. Há quatro anos atrás, um cervense convicto de que a sua terra é a mais bonita de Portugal, teve um momento de luz ao pensar nestes almoços de confraternização. Finalmente, a sua perseverança foi reconhecida e recompensada!
No decorrer destes anos, tem sido visível o crescendo de pessoas que a nós se tem juntado e este ano fomos surpreendidos com cerca de 200 conterrâneos acompanhados de familiares e amigos. O local escolhido foi o restaurante “Casa da Azenha”, sita em Vale de Lobos, propriedade de um amigo e conterrâneo que nos presenteou com enorme simpatia e hospitalidade.
A nossa casa transmontana, também, esteve representada por dois membros da direcção que aplaudiram e apelaram a mais iniciativas do género. Quem esteve presente pôde testemunhar a emoção e comoção daqueles que por circunstâncias e acasos da vida, não se encontravam há muitos anos.
Estes eventos não têm idade e os mais novos ouviram histórias de outros tempos e partilharam a alegria daqueles que rejubilavam ao relembrar um passado de outrora. Mas a lembrança deu lugar à alegria e após um repasto “regado” com vinho morangueiro, seguiram-se as cantorias…os hinos de Cerva e de Vila Real que nos desculpem alguma falha!!!

O entusiasmo era grande e num ápice surgiram concertinas, acordeões, castanholas e canções de fazer lembrar outros tempos que se prolongaram por toda a tarde, fazendo terminar mais um belo convívio. Ansiosos, ficaremos a aguardar mais um ano, torcendo para que mais conterrâneos e amigos se juntem a esta iniciativa, valorizando as origens de cada um.
Até para o ano…
Posted at 10:02 by ntmad
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2007.06.15
SÍNTESE DA CONFERENCIA "INTERIORIDADES E DESAFIOS PARA PORTUGAL"
por João Manuel Sampaio
Nuno Aires, Presidente da Casa de Trás-os-Montes, na apresentação de Adriano Moreira, foi feliz ao dizer que Adriano Moreira, "é um cidadão que é de todo o mundo", e não só de Trás-os-Montes e de Portugal.
Sem se esquecer de dizer que a nova Casa prevista, ainda está no sonho, Nuno Aires, agradeceu o apoio da autarquia lisboeta na cedência do espaço para mais um evento, e depois desfiou um conjunto de factos que fazem de Adriano Moreira, um transmontano de Grijó, Macedo de Cavaleiros, um dos pensadores portugueses mais lúcidos que importa ter em conta, neste momento de mudança de paradigma fronteiriço nacional.

"O estado ainda não se organizou para as várias fronteiras que o país tem, país que mudou de maneira radical" e, por isso, muita coisa há a mudar, e o país tem de dar uma resposta às novas fronteiras", disse-o Adriano Moreira.
"O País precisa de vistas largas", face à nova realidade que está perante os olhos de todos, disse o Professor, referindo-se ao tema em análise que mereceu a atenção de mais de meia centena de transmontanos e não transmontanos que o ouviram, alguns dos quais tiveram a oportunidade de jantar na Casa e participar no descerramento de um quadro com a imagem do Professor de Grijó, que hoje é já cidadão do mundo, elaborado por António Afonso, de Bragança.
"O rei, era o rei das três regiões. Ele sabia-o, não sei se o senhor Presidente da República não terá de ser confrontado que vai ser Presidente das três regiões". Adriano Moreira começou a sua conversa trazendo à reflexão, pela positiva, a obra de Manuel Cardoso acabada de editar, Um Tiro na Bruma (um romance histórico-policial que retrata a sociedade portuguesa no início do Séc. XIX ). Disse que aproveitou também para reler a Queda de Um Anjo de Camilo Castelo Branco, que caracteriza a classe politica, e Frei Bartolomeu dos Mártires, e depois ficou a pensar de quantas lágrimas é feito cada viveiro em Trás-os-Montes, ocorreu-lhe pensar na interioridade e que por vezes se fala de interioridade para se questionar o desenvolvimento, salientando que "nesta data estão a ser reeditados os livros mais pessimistas da época". Falou de alguns autores como Mouzinho, Antero, falou de Guerra Junqueiro e José Gil, do "medo de existir" e a dado passo, com a lucidez que o caracteriza, disse que "alguma resposta tem de ser dada. Tem de se ter vontade de viver e resistir ao pessimismo".
A interioridade, pobreza, periferia e fronteiras, foram outros conceitos que mereceram a análise do ex- Ministro do Ultramar a quem lhe coube o mérito de acabar com a abolição do indigenato, e que, a dado passo da sua partilha de conceitos, afirma que "a macroeconomia já não pertence à soberania portuguesa e será que a população saberá disso?" perguntou, afirmando com toda a clareza, que "estamos a viver a crise financeira mais severa de sempre", mas a racionalização tal como está a ser feita, como um pacto de orientação não está imune. Virando-se para o interior, afirma, "quando fecham as escolas, os serviços, estamos em fase de desistência", "pois, com a quebra da natalidade, da mão de obra, e de outros factores, leva a que o país entorne para o Atlântico e o interior se desertifique. Está-se a assistir ao choque entre a racionalização e a desistência da interioridade". Na década de 70 apostou-se na educação através dos politécnicos, para que não se imigrasse e se ficasse, só que a economia não se desenvolveu para sustentar a massa cinzenta, e assiste-se a "que com os politécnicos não se fabricou os melhores ficantes mas melhores imigrantes".

Adriano Moreira mostrou-se não concordante com a ideia do ser periférico. "No globo tenho dificuldades de me ver periférico. Nós não somos periféricos. O Atlântico não nos deixa na periferia", e por isso, defendeu, que "a nossa resposta está na qualidade, na investigação e no ensino". Mas, vai mais longe, considera mesmo que "tem de se ver o financiamento para a investigação e ensino, como gastos de sobrevivência".
Houve uma mudança de paradigma e a universidade tem de ser vista como universal e as novas competências têm de ser para um país que mudou de fronteira, entre o Atlântico e os Urais. Adriano Moreira falou ainda do ser português e o como este conceito é assumido pelos vários dizentes. Para um é ser natural de Portugal. Para outro é respeitar a soberania portuguesa, para os novos imigrantes é cumprir a constituição. Tudo isto tem de ser equacionado e não se pode adiar.
"A identidade do país e os valores não podem ser abandonados, a filosofia, a filosofia dos valores, a história, a nossa ciência, não podem ser abandonados", senão corremos o risco da desistência. Investiu-se mais em humanidades do que no que o país precisava, por isso há desemprego", veja-se que existem 22 faculdades com Direito e 3 mil alunos licenciados por ano e já não há Ultramar.
Mas antes Adriano Moreira referiu-se ainda à questão da pobreza, e "a solução para ela era a imigração. Temos de pensar o que aconteceu ao País durante o século XX. Os transmontanos tinham vizinhos e têm: os espanhóis. As fronteiras eram sagradas mas com a adesão há Europa mudaram de natureza.
As fronteiras deixaram de ser sagradas. Agora são múltiplas e pontos administrativos, nomeadamente, a Nato, a União Europeia, a CPLP". E a noutro momento conclui que o Estado ainda não se organizou para as várias fronteiras que o País tem. Muita coisa há a mudar e o país tem de dar uma resposta às novas fronteiras. O nosso país precisou sempre de apoio externo". E o professor lembrou, o caso de Afonso Henriques, que foi pedir apoio e que nunca pagou as onças de ouro ao Papa. Hoje já se fala da Raia sem fronteiras. Badajoz tem a melhor biblioteca sobre o Alentejo, disse. Isto tem de nos fazer pensar.
Outra questão que mereceu uma atenção de Adriano Moreira, é a de que hoje em dia a população sabe das decisões pelos efeitos, são decisões furtivas. Nomeou-se o Ministro do Mar e desapareceu a frota. Antigamente havia o conceito estratégico da sustentação, era o caso dos silos que desapareceram: centeio, milho, girassol e tomate, por exemplo. Em Trás-os-Montes o nível de abstenção mostra o afastamento, a distância entre a população e governo. Lembrou o caso de como se vai à Província buscar o voto.
Durante 60 minutos, Adriano Moreira passou de forma transversal por vários temas que cativaram os presentes, entre os quais se destacava Maria de Jesus Barroso, entre outras figuras gradas que assistiram ao desfiar do pensamento de um transmontano cuja cidadania é internacional, a quem se deve dar mais atenção porque os seus oráculos têm muita pertinência, numa altura em que as fronteiras de Portugal, hoje, são outras, como o Professor afirma, vão do Atlântico aos Urais e já não se confinam ao rectângulo que aprendemos a desenhar.

Posted at 04:23 by ntmad
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CONFERÊNCIA "INTERIORIDADES E DESAFIOS PARA PORTUGAL"
APRESENTAÇÃO DO CONFERENCISTA, SR. PROFESSOR ADRIANO MOREIRA, PELO PRESIDENTE DA CTMAD

Sr. Professor Adriano Moreira, Ex.mas autoridades, Caros Convidados, Minhas senhoras, Meus senhores, Caros associados e Amigos!
Sr. Professor Adriano Moreira!
Quando há um ano lhe dirigi o convite para apresentar um trabalho na CTMAD seguro estava das significações que ele representaria para o Sr. Professor e ciente estava do conforto e satisfação, honra e orgulho que a Direcção da CTMAD e de todos os associados sentiriam com a Presença do Sr. professor neste palácio que, de momento, assegura este encontro Trasmontanoduriense.
O nosso muito obrigado!
O Sr. Professor já não precisa de apresentações pois tão grande e conhecido é o seu prestígio e percurso de humanista, de politico, de intelectual e professor universitário.

Mas, nestas sessões cívicas e didácticas, recomenda-se que se faça a apresentação do orador e, cabendo-me essa tarefa, quero aqui e agora manifestar-lhe o nosso muito grande apreço, o nosso carinho e admiração e, pessoalmente, é com grande satisfação e orgulho que farei uma breve síntese do seu currículo.
O nosso Professor, seja-me permitido este pequeno mas carinhoso mimado abuso, nasceu em 6 de Setembro de 1922, em Grijó, que já não é de Vale Bem Feito, que fica a uns ¾ km de Macedo de Cavaleiros, e, no seu recente dizer, " menino e moço", pela mão de seus pais, veio para Lisboa onde, depois dos estudos primários e secundários, se licenciou em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa;
Logo em 1944, com 22 anos, ingressou no corpo docente da Escola Superior Colonial que, pela sua mão, havia de passar a ser o actual Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas da Universidade Técnica de Lisboa.
Nesta Escola Superior autonomizou o ensino da Ciência Politica, das Relações Internacionais e da Estratégia e foi seu Director durante 12 anos e depois Presidente do Conselho Científico até à jubilação.
É Doutor por aquele Instituto e Doutor em Direito pela Universidade Complutense de Madrid.
É professor de Relações Internacionais, há cerca de 40 anos, no Instituto Superior Naval de Guerra,
Da Escola de Comandos e Estado-Maior
Da Universidade Católica do Rio de Janeiro onde organizou o Instituto de Relações Internacionais e de Direito Comparado, o conhecido IRICO.
É Professor da Universidade católica Portuguesa e
Professor Emérito da Universidade Técnica de Lisboa.
É Doutor Honoris Causa pelas Universidades Aberta, da Beira Interior, Manaus, Brasília, S. Paulo e Rio de Janeiro.
É membro da Academia Brasileira de letras, da Academia de Ciências de Lisboa, da Academia da Marinha, da Academia de Ciências Morales Y Politicas de Madrid e da academia Portuguesa de História.
Foi Ministro do Ultramar entre 1961/63 em cujo mandato se notabilizou.
A este propósito não resisto em renovar o que há um ano disse pois não perdeu actualidade:
Mas, se é como político que, na Nossa Terra, porventura é mais conhecido, não deixam, contudo, de as suas principais obras políticas serem das mais desconhecidas.
O salto na história foi grande e bom e a frenética erosão dos tempos que vivemos ajudaram a esquecer muita da sua obra.
Mas, a CTMAD, fiel aos seus princípios e propósitos, não quer deixar morrer esse passado nem esquecer a obra feita por V. Ex.a.
O Sr. Professor é um Criador, olha sempre para o futuro longínquo, e só os Criadores resistem à mediocridade das humanas minudências e atravessam a imorredoira História.

Por isso, se hoje já estão esquecidas até por aqueles que das suas obras beneficiaram, quero, mais uma vez, trazer à colação e memória desta magna assembleia para que, de futuro, não devam ser esquecidas e sobretudo para que se possa admirar, mais uma vez, a riquíssima personalidade do Sr. Professor Adriano Moreira:
Refiro-me:
1.À criação das Universidades de Luanda e Lourenço Marques, centros de cultura e ciência que permitiram a formação das elites de Angola e Moçambique com as consequentes e óbvias implicações;
2.Instituição do Código de Trabalho Rural, o mais avançado de toda a África, que introduziu a proibição do trabalho forçado;
3.A abolição do Indigenato com o que pôs termo à distinção entre indígenas e assimilados com os conhecidos reflexos ao nível da miscigenação;
4.Promoção da consulta às figuras gradas do regime no sentido de alteração da política para o ultramar conjecturando uma possível federação do que hoje se designa por países lusófonos no que foi apoiado por Marcelo Caetano e Sarmento Rodrigues.
5.À acção desenvolvida nas reformas introduzidas no actual INSTITUTO SUPERIOR de CIÊNCIAS SOCIAIS e POLÍTICAS facto bem conhecido e reconhecido por todos os académicos
Para além destas obras politicas de grande significação humana e social o seu pensamento pode ser encontrado nas seguintes obras didáctico/pedagógicas:
" A Europa em Formação" Lisboa 1974;
"Ciência Politica" Lisboa 1979 e
"Teoria das Relações Internacionais"
Sem esquecer, obviamente, os trabalhos avulsos em jornais e revistas, conferencias, debates televisivos e sobretudo pela riqueza humana que o seu convívio nos dá.
Muito obrigado, a palavra para o Sr. professor Adriano Moreira!
Posted at 02:28 by ntmad
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2007.06.14
À MEMÓRIA DE CONSTANTINO, TRASMONTANO E REI DOS FLORISTAS ! - 3ª Parte*

No dia seguinte apresentou-se o bom Constantino no palácio real e, mais uma vez recebido pela Rainha que, sem rodeios, exclamou:
Sr. Constantino, ficaremos com as duas coroas, porque as vossas flores são tal qual as naturais. Uma única diferença as separa, as naturais murcham, as vossas não. Magnifico, magnifico!
Ante tão prestigiante escolha os empregados da loja ficaram, mais um vez encantados e, sem olhar a meios, depressa puseram a circular a notícia que, para admiração dos parisienses e estrangeiros, foi primeira página dos principais jornais diários.
O Sr. Isidore Culot, no dia seguinte, emocionado, entra a correr na oficina e, de olhos a saltarem-lhe da cara, atira para cima da mesa de Constantino um molho de jornais e exclama:
Mestre Constantino, veja, veja! Toda a imprensa diária traz, em grandes parangonas, a notícia e, mais, reproduz as palavras da Rainha acerca das flores que o mestre faz, dizem até que a fama do mestre já chegou à América e que os americanos ricos querem comprar toda a produção.
Constantino, ante tão promissora notícia, decide de imediato dar mais um passo e, sem se emocionar, responde-lhe:
- Sr. Culot, apesar de termos já trinta empregados, esta loja não responde ás necessidades, é preciso encontrar outro espaço que garanta melhores condições de trabalho e sobretudo que tenha boas montras e tornem as nossas flores mais visíveis. Vi uma que me satisfaz na Rua de Santo Agostinho, há dinheiro, deve-se investir. É preciso remodelar e fazer novas flores
- Mas, mestre, como responderão os empregados e os fornecedores, o que hoje é bom amanhã poderá não o ser, não será melhor esperar mais um pouco?
- Não Sr. Culot, os empregados responderão bem, aos fornecedores paga-se o que se lhe deve e partiremos para uma nova etapa. Mas, o Sr. Culot parece não acreditar.
- Olhe, vem a propósito, ando há um bom par de dias para lhe colocar uma questão, propor-lhe a compra da sua quota.
- Repare o Sr. não vem aqui, de flores nada percebe, também já tem alguma idade, proponho-lhe ficar com a sua quota, dou-lhe os lucros apurados mais o dobro do capital que investiu. Que me diz?
- Mas, mestre Constantino, agora que o negócio está bom é que o Sr. quer pôr-me na rua? Haja moral, que ingratidão!
- Não Sr. Culot, não é o dinheiro, o Sr. não me conhece, nem conhece os artistas, não me compreende, jamais perdoaria a mim mesmo se esta minha opção fosse desencadeada por dinheiro. Repare, eu sou um artista como muitas provas já dei, e, felizmente, bem sucedidas. Preciso de liberdade para me inspirar e criar, preciso de olhar, ver, observar, fazer experiências, quero viajar, conhecer novas tintas, novos perfumes, novas essências e para isso não posso ter limitações. Preciso de independência Sr. Culot e acredite que, suceda o que suceder, estarei eternamente grato ao seu gesto e à sua ajuda.
E, se fizesse todo este meu trabalho e criação, mesmo com o seu consentimento, estaria sempre a pensar que estava a gastar o seu dinheiro. Ora, pelas minhas aparentes loucuras e criativas extravagancias só eu posso responder. Faço-lhe esta proposta com grande respeito e consideração por si! Pense bem Sr. Culot, não me julgue mal!
- Além do mais, vem aí a exposição de Paris, todos os artistas vão estar presentes e o mundo inteiro vai estar de olhos postos aqui. E, com tempo, gostava de ir em busca de novas experiências, novas tonalidades, outra policromia, tenho de surpreender tudo e todos, quero criar, quero ter a admiração de todos, quero projectar o meu ser, o meu País, quero a glória, percebe Sr. Culot?
O Sr. Culot, impressionado com a velocidade da resposta assim como a tranquilidade e encanto com a pose que Constantino assumia, ponderando um pouco, e dizendo que sim, justificou-se:
- Mestre, estou com setenta anos, estou bem de vida, de flores nada percebo e apostei em si por que via que, na casa do Sr. Flamet, andava silencioso e triste. Eu sabia que o senhor era um artista e não gosto de ver os artistas tristes, como que atrofiados. A arte é sublime, divina, deve ser apoiada! Olhe, boa sorte, prepare a escritura e diga-me qual o notário e a hora a que lá devo estar.
Constantino, feliz, com os olhos a faiscar e saltarem-lhe das órbitas, de imediato disparou para o Sr. Lequerel!
- Sr. Lequerel trate de arranjar um notário que amanhã, ou no dia seguinte, faça a escritura de aquisição da posição do Sr. Culot, faça as contas dos lucros do ano, mais o dobro do valor da quota, preencha um cheque no valor dessas importâncias a favor do Sr. Culot.
E foi assim que, oito dias depois, de armas e bagagens, o nosso bom Constantino com os seus trinta empregados se instalou no n.º 37 da Rua de St. Agustin onde, como veremos, no número seguinte, novos êxitos alcançou.
Instalados no n.º 37 da Rua de St. Agustin a azáfama do trabalho não parava pois, pouco antes, ainda na anterior loja, Constantino havia decidido concorrer à Exposição de Paris que nesse ano se realizou nos Campos Elíseos.
Constantino, mais uma vez, surpreendeu tudo e todos, o seu stand foi dos mais visitados e as suas obras foram enaltecidas, com primeiras páginas de jornais, tal era a beleza, encanto e perfume que transmitiu aos seus arranjos florais.
A excepcional qualidade do seu trabalho foi reconhecida por todos e foi assim que, no último dia do certame, viu o seu nome ser pronunciado pelo Rei que o declarou vencedor do certame em arte floral.
Com este prémio os aplausos foram mais que muitos e até o Sr. Flamet, esquecendo a azedume da saída, veio cumprimentar Constantino prestando-lhe sentido elogio.
Com este prémio o reconhecimento de Constantino foi geral, ultrapassou fronteiras, fez crescer o seu negócio cujas encomendas eram agora satisfeitas por 40 empregados.
Constantino, porém, não se deslumbrou e, acicatado pelo desejo de inovar e conhecer novos perfumes, decide uma viagem a Inglaterra e aos Pirinéus para estudar a flora e botânica destas regiões, que era rica. Confiada a loja aos seus empregados, sempre dirigidos pelo seu amigo Lequerel, Constantino embarcou para Inglaterra e regressou pelos Pirinéus na descida dos quais, em Tercis-les-Bains, sofreu uma queda quando, sentindo-se ainda rapaz e a lembrar-se da sua terra, subiu a um penhasco para apanhar uma flor que tinha um azul que nunca antes vira.
Nesta vila, reteve-o a doença uns tempos, e, a conselho dos naturais, descobre as águas termais que o ajudaram a recuperar das mazelas nas pernas e costelas e que mais tarde tanto o haviam de ajudar no alívio do seu reumatismo.
Regressado a Paris, carregado de novos perfumes e flores que descobrira nos Pirinéus, Constantino lança-se de novo na profissão pois as encomendas das casas reais, nobres, e burgueses ricos e poderosos não paravam, todos disputavam as flores de Mestre Constantin.
Como o negócio não parasse sentiu necessidade de arranjar outras instalações pois as da Rua de St. Agustin já se mostravam reduzidas para albergar os 40 trabalhadores.
E é assim que por volta de 1846 se instala no 1º e 2º andares do n.º 7 da Rua D'Antin, nas proximidades da Ópera de Paris, por onde passava a melhor clientela da cidade.
Pela primeira vez sentiu Constantino o que era ter uma casa/habitação próprias pois, vivendo no amplo 2º andar, sentia o prazer de descer ao primeiro, de receber os prestigiados clientes no salão que a oficina dispunha e de ver todos os seus empregados a cumprir as ordens que lhes dava e sobretudo de ver o seu projecto empresarial e artístico realizado.
Este gozo, porém, havia de durar pouco pois, com a revolução de 1848, Paris tornou-se uma cidade de grandes dificuldades e miséria e durante dois anos foi esperar melhores dias sem que, contudo, tivesse de despedir os seus empregados que, por causa das barricadas e fome, na sua própria Casa e loja os alojou.
E só a abnegação de Constantino salvaram a sua empresa pois, não obstante Paris não lhe proporcionar negócios, a sua fama pelas casas reais da Bélgica, Alemanha e outras era grande e com elas conseguiu muitos negócios e recuperar o movimento comercial antigo.
Em 1850, serenada a Revolução e implantada a República, já o rei dos Floristas gozava de novo as delícias do negócio e é, então que, para calar a mágoa da saudade e aquela velha angustia que lhe rasgava o peito decide vir a Portugal.
Anunciadas e distribuídas as ordens sobre o giro da casa, Constantino dá ordens ao Sr. Lequerel para anunciar a viagem aos clientes e divulgar o facto nos jornais de Paris e Lisboa.
E é assim que Lisboa recebe o Rei dos Floristas.
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Posted at 14:49 by ntmad
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