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2007.11.21
SÍNTESE NOTICIOSA OUTUBRO / NOVEMBRO

FEIRA DE ARTESANATO E GASTRONOMIA, EM VILA REAL
Vai decorrer, ou já decorreu, (conforme a data da publicação do jornal) entre os dias 29 de Novembro e 2 de Dezembro. Trata-se de uma excelente amostra das actividades artesanais e gastronómicas de todo o distrito e não apenas do concelho. Danças e Cantares da Região animarão a festa. A Feira, que vai na X edição, é uma organização da NERVIR, com a colaboração da Câmara Municipal. Este ano terá a participação das cidades geminadas com Vila Real.
VINHOS PORTUGUESES ENTRE OS MELHORES DO MUNDO
A conceituada e influente revista norte-americana Wine & Spirits colocou quatro vinhos portugueses entre os 100 melhores do mundo. Destes 4, três são da nossa região: Quinta do Crasto 2004, Douro; Taylor Porto Vargellas 2004; Taylor Porto Vargellas Vinha Velha, 2004. O outro vinho referido é o vinho verde Alvarinho, Quinta do Feital,2005.
MAQUINARIA ENTRA NAS VINDIMAS DO DOURO.
Ainda não é vulgar, mas o caminho está aberto. As vindimas feitas por vindimadores e vindimadeiras está em vias de desaparecer. Com efeito, a máquina vindimadeira entrou nas vinhas do Douro e dadas a suas aptidões em eficácia, rapidez e redução de custos é uma séria candidata à substituição da mão de obra humana. Numa experiência, que se repete pelo segundo ano consecutivo, uma máquina de grandes proporções, conhecida por Barrere, esteve em acção no planalto de Alijó, na Quinta Casal da Granja, da Real Companhia Velha, e efectuou o trabalho de vindimar com grande eficiência, sendo manobrada por apenas um homem. Devido às características dos terrenos durienses a introdução generalizada da vindima mecânica ainda vai tardar, mas o futuro já começou.
AERÓDROMO DE MIRANDELA QUER SER O MELHOR DA REGIÃO
A pista actual de 800 metros de comprimento foi recentemente alcatroada e o hangar existente recebeu obras importantes de beneficiação. Os 400 mil euros investidos são apenas um estímulo para novos voos, pois o presidente do Aero Clube espera que sejam construídos dois novos hangares, um posto de abastecimento, uma torre de controlo para fazer dele um aeródromo capaz de satisfazer as exigências necessárias à realização de eventos ligados à aeronáutica civil.
TORRE DE MONCORVO, TERRA DA AMÊNDOA
Entre os dias 04 e 07 de Outubro decorreu a II Mostra de Vinhos, Amêndoa e Stock's, uma organização da Associação dos Comerciantes e Industriais, do concelho (ACIM). Houve concurso muito concorrido de doces de amêndoa e dele saiu a ideia de criar um bolo típico da terra com características específicas capazes de permitir a sua identificação regional e com a durabilidade necessária para poder ser comercializado nas grandes superfícies de todo o país. Uma boa ideia à espera de concretização
PROTESTO POPULAR NA FRONTEIRA ENTRE MIRANDELA E MACEDO
É engraçado o episódio e revelador da persistência de "vícios" antigos na nossa terra. Vejamos: a aldeia de Vilares do Monte pertence ao concelho de Macedo de Cavaleiros e a aldeia de Vilares da Torre fica do lado de Mirandela. Ora a Câmara Municipal de Macedo resolveu alcatroar a estrada que liga as duas povoações, mas fê-lo apenas até ao limite do seu concelho. Os restantes 1600 metros de estrada situados no concelho de Mirandela continuam em terra batida e em estado de degradação. Face a tão visível descriminação, as populações reuniram-se no local protestando contra a Câmara de Mirandela. O Presidente da Câmara mirandelense apresentou razões que considera válidas, mas nós perguntamos: Não teria sido possível um acordo entre as duas autarquias evitando esta situação que, no mínimo, é caricata? Pelos vistos, não. Que pena!
FAVAIOS PROMOVE FESTIVAL
A vila de Favaios, no concelho de Alijó, conhecida pelo seu famoso pão e celebrado vinho moscatel serviu de palco, nos dias 13 e 14 de Outubro, ao I Festival das Aldeias Vinhateiras. Um vasto programa recreativo e cultural foi executado pela Oficina de Teatro, pelo Grupo de Cantares, ambos de Favaios, pela Banda Musical de S. Mamede de Ribatua, pelos Zés Pereiras de Sanfins do Douro, Grupo de Percussão de Bidons e outros.
Entretanto, outras aldeias vinhateiras como Barcos, Provesende, Favaios, Ucanha e Salzedas receberam estruturas sinaléticas bilingues (português e inglês) para melhor conhecer e interpretar os pontos de interesse histórico e turístico.
PATRIMÓNIO HISTÓRICO BRAGANÇANO EM RECUPERAÇÃO
No Mosteiro de Castro Avelãs, por iniciativa do IGESPAR (ex-IPPAR) vão recomeçar as escavações nos terrenos contíguos à igreja, com o objectivo de pôr às claras a planta do mosteiro medieval ali existente. O telhado da igreja vai ser objecto de uma intervenção para evitar a infiltração das chuvas
Também já deviam ter começado as obras previstas de intervenção e preservação do monumento ex-libris da cidade, na Domus Municipalis, que incluem limpeza dos granitos, conservação de madeiras, colocação de portas, reparação do telhado. O orçamento, neste caso, é de 30.000 euros, tendo a Caja Duero, espanhola, comparticipado com 15.000.
MONTALEGRE CRIA GABINETE DE APOIO AO EMIGRANTE
Com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, foi assinado em Montalegre o protocolo que cria um gabinete destinado a informar os emigrantes de todos os direitos e obrigações que lhe dizem respeito. Montalegre é um concelho de tradição emigrante, havendo barrosões espalhados por todo o mundo com incidência em França e Estados Unidos.
SERÁ VERDADE?
Leio e não acredito. Mas nunca se sabe. Há sempre quem arranje razões "válidas" para tudo. A questão é saber se serão as mais válidas. Por ter sido classificada, há cinco anos, como "ponte perigosa", dizem que a ponte sobre o rio Sabor entrou agora em obras de manutenção. Se não houver derrapagem, a EP (Estradas de Portugal) vai gastar, pelo menos, os 634 mil euros orçamentados. Acontece, porém, que dentro de poucos anos, se o projecto da barragem não desabar, a referida ponte ficará submersa afundando consigo, para sempre, os 634 mil euros de todos nós. Será possível que aconteça? Parece que sim, que vai ser possível.
A PRIMEIRA COOPERATIVA DA CASTANHA, EM TRÁS-OS-MONTES
Nasceu em Macedo de Cavaleiros, no dia 06 de Setembro, com o nome "Cooperativa Agrícola Soutos Os Cavaleiros", mas só no dia 18 de Outubro foi apresentada ao público. Constituída por 31 sócios fundadores, tem como objectivo preservar os soutos e promover a castanha, fazendo dela a marca distintiva do concelho.
O MAIOR POTE DE FERRO DO MUNDO
Já foi inscrito no livro Guiness e bate o record dos potes. Tem uma altura de 2,10 metros, uma boca com 1,60 metros de diâmetro e capacidade para 1000 litros. A iniciativa pertenceu à organização da Norcaça & Norpesca, sedeada em Bragança, com o objectivo de promover a caça e a gastronomia a ela ligada. No dia da apresentação funcional, o pote cozinhou 700 quilos de carne de javali satisfazendo o apetite a cerca de 2000 comensais. Para mexer "o cozido" foi inventado um engenho apropriado. Também se tornou necessário fazer um molde especial para a fundição em Albergaria a Velha, onde o pote teve de ser fundido. Enfim, um grande pote, capaz de fazer inveja aos potes grandes das cozinhas das nossas avós.
HOMEM E BURRO ATROPELADOS
Aconteceu em Carção,Argoselo, concelho de Vimioso, na estrada nacional nº 218. Um camião abalroou o homem que cavalgava o burro e do choque resultou a morte de ambos. O homem chamava-se Aníbal do Nascimento e tinha 76 anos. Esta estrada, muito utilizada por animais e máquinas agrícolas, torna-se perigosa devido ao seu traçado sinuoso e falta de sinalização apropriada
MORAIS HOMENAGEOU A PADROEIRA
Aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, Morais, durante três dias esteve em festa. Quermesse, conjuntos musicais, feirantes, turistas, festeiros, encheram a terra de movimento, de sons, de alegria. Cerimónias religiosas e uma luzidia procissão com oito andores honraram Nossa Senhora da Oliveira, a padroeira mui amada das gentes de Morais.
MIGUEL TORGA RECORDADO EM PARIS
Integrada nas Comemorações Centenárias do escritor transmontano, a Fundação Gulbenkian realizou, em Paris, nos dias 17 e 18 de Outubro, um colóquio sobre a obra de Miguel Torga. Foram enviados convites especiais a professores de todas as universidade francesas onde se ensina o Português. Eduardo Lourenço, Manuel Alegre e a filha do escritor, Clara Rocha, foram participantes. A língua utilizada foi o Francês.
AS CORRIDAS DE AUTOMÓVEIS EM VILA REAL
Após 16 anos de interregno, provocado por um grave acidente que matou quatro espectadores, nos dias 5,6 e 7 de Outubro foram reatadas as tradicionais corridas de automóveis. Milhares de pessoas ( fala-se em 40, 50 e mesmo 70.000 espectadores ) esgotaram as disponibilidades de alojamento num raio de 70 quilómetros e encheram de movimento entusiástico as estradas da região e as ruas da cidade. As várias provas decorreram sem incidentes, nem acidentes e a organização revelou-se eficaz e à altura das exigências do espectáculo. Os vilarrealenses voltaram a respirar o orgulho de outros tempos e ao sucesso do 40º Circuito, vão responder, já em Junho do próximo ano, com a realização do 41º Circuito Automóvel de Vila Real.
PESSOAS
Ricardo Matosinhos
É natural de Valpaços. Aos 14 anos ingressou na Escola Profissional de Arte de Mirandela, cursando música em instrumentos de sopro. Tem 25 anos, passou por várias orquestras, tem ensinado música em várias escolas e colégios, toca em grupos. Acaba de ver reconhecido o seu talento ao ser premiado com o 2º prémio na categoria de trompa, nível superior, na 21ª edição do Prémio Jovens Músicos 2007, iniciativa da Antena 2. Parabéns.
FALECIMENTO
ANTÓNIO CABRAL, POETA DO SENTIR TRANSMONTANO

Foto Nelson Silva
"Morreu o António Cabral. Morreu esta madrugada (23/10/2007) e o funeral é amanhã na igreja de N.S. da Conceição, às 15 e 30".
Foi com estas palavras que o Dr. Barroso da Fonte me anunciou a morte do amigo comum. O anúncio não teve o efeito do choque – atravessada a fronteira dos 70 a porta está sempre aberta para receber sem surpresa notícias destas – mas deixou-me na alma o lastro de uma tristeza bem funda. E regressei, em viagem fugaz de saudade, ao passado distante, quando o Cabral me escolheu para actor de um drama que escreveu e foi representado, no Seminário, nas férias do Carnaval, (1947) ao início da sua carreira poética, quando me lia poemas que fazia, me perguntava se gostava e depois guardava num caderno escolar, quando, em vão, porque o poeta nasce e não se faz, quis teimosamente fazer de mim um poeta, quando me acolheu em casa dos pais para me dar a conhecer a sua terra, Castedo do Douro, que ele havia de cantar tão bem e durante toda a vida, ao tempo em que empreendemos, igual caminhada de generosidade e esperança que havia de revelar-se sem futuro porque fora iniciada com passadas de ilusão.
Sendo António Cabral, por mérito próprio, um dos mais ilustres transmontanodurienses e, como tal, credor do nosso orgulho regionalista é, sobretudo, o sentimento triste de ver o amigo partir, que, neste momento, me domina.
Toda a gente ligada à cultura, sobretudo em Trás-os-Montes e Alto Douro, conheceu António Cabral, (António Joaquim Magalhães Teixeira Cabral) a sua obra e a sua actividade.
Poeta, romancista, ficcionista, investigador, jornalista, dramaturgo, ensaísta, sacerdote, filósofo, professor, explicador, animador cultural, funcionário, fundador de serviços culturais e revistas, empreendedor de eventos culturais diversificados, estudioso, organizador e entusiasta dos jogos populares tradicionais, viajante ilustrado, amante de farras e tertúlias, sportinguista, marido amante e pai dedicado. E ficaria agora tempos infindos a falar desta personalidade eclética e grande… Mas não. O silêncio clama. Que descanse em Paz.
À esposa e às duas filhas, a viver horas de natural amargura, se estas palavras lerem, apresento sentidas condolências e as homenagens formais da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, de Lisboa.- Armando Jorge e Silva.
EVOCAÇÃO DE TRINDADE COELHO
Nas minhas deambulações pelas ruas de Lisboa, encontrei em alfarrabista um livro de ensaios de Mons. Moreira das Neves. O título "Camilo tal e qual" interessou-me e comprei. O último capítulo fala de Camilo e Trindade Coelho e, na última folha, o
autor escreve:

Se o nosso leitor desejar ver a "ampla mesa de pau preto", as "duas estantes de madeira da mesma cor" e "a cadeira negra de espaldar de couro com pregaria", onde Trindade Coelho, o exímio contista transmontano pôs termo à vida, desloque-se à Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, Lisboa. E no silêncio da alma faça uma prece ou, se preferir, uma simples evocação memorial.
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2007.11.17
GRANDE MAGUSTO DA CTMAD, 18 NOVEMBRO 2007,13:00, NO EXTERNATO MARISTA DE LISBOA
EM BENFICA, RUA MAJOR NEUTEL DE ABREU, Nº11
(ALTO DOS MOÍNHOS)
GRANDE MAGUSTO TRASMONTANO
DOMINGO 18 NOVEMBRO 13:00 HORAS
ENTRADA LIVRE
PREÇO DO LANCHE (PÃO CENTEIO, FEBRAS, CASTANHAS, VINHO E JEROPIGA): SÓCIOS COM AS QUOTAS EM DIA - 3 EUROS GERAL - 6 EUROS
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2007.11.07
LUÍS URGAIS APRESENTA LIVRO NA SEDE DA CTMAD, NO PRÓXIMO DIA 15
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2007.11.05

Enquanto estou a escrever esta crónica ainda decorre o Ramadão. Como todos sabem o Ramadão é um período de jejum dos muçulmanos que decorre durante cerca de um mês não podendo alimentar-se, os seus crentes, no tempo que decorre do nascer ao por do Sol. Faz parte das obrigações dos bons muçulmanos. Para alguns o período de jejum, e o sentimento da fome, faz-lhes pensar nos que têm fome e por isso se obrigam a contribuir para alimentar os pobres.
Para evitar riscos de não cumprimento, existem tabelas que indicam a hora, dia a dia, a partir da qual se pode fazer uma refeição. Já tinha estado várias vezes em países de religião muçulmana durante o Ramadão mas não tinha reparado na sua influência no quotidiano como assisti na Turquia. A primeira, e muito visível para um turista, é o anúncio em muitos restaurantes de preço especial para o “Iftar”, com indicação de preço fixo, e promocional, com a composição da ementa. Obviamente sem álcool. “Iftar” é o jantar que se segue ao período de jejum diário. No fim do Ramadão têm ainda um dia especial, que é o dia da quebra do jejum. Sem querer comparar podemos associar a Quaresma com o final no Domingo de Páscoa que é um dia de grandes comemorações gastronómicas.
Tive a sorte de ser convidado para participar num “Iftar” organizado diariamente por um negociante de tapetes. Nesta refeição estavam presentes para além do anfitrião, os seus trabalhadores e outros colaboradores, familiares e amigos. A refeição começou religiosamente às dezanove horas e dois minutos, conforme referia a tabela.
As mesas foram improvisadas pois o número de convivas ultrapassava a vintena. Não havendo lugares diferenciados as pessoas iam-se sentando à volta das mesas conforme iam chegando. Estava já colocado na mesa o pão, baixo e de mistura de farinhas, e uma salada de alface e tomate. Depois cada lugar tinha um prato, um copo, e uma colher e um garfo.
Foi colocado à frente de cada um de nós um prato alto com sopa: Sopa de Galinha com Aletria que vinha acompanhada com meio limão. O anfitrião avisa-nos que o limão é fundamental para o gosto da sopa e que cada um deve espremer a quantidade que entender. A sopa parecia um puré de cor clara. Provei sem limão e depois comi com limão. De facto a acidez do limão ajudava a compor o gosto final. Enquanto comia, e porque as conversas fluíam com entusiasmo, não tive coragem de perguntar como se fazia esta sopa. Já terminada a refeição lá perguntei ao dono da casa, que me confessou ter sido ele a confeccionar, a receita. No meio de um inglês pouco fácil remeteu-me para um amigo, e conviva do jantar, que me explicasse a respectiva confecção. Julgo ter anotado com cuidado e assim: cortam-se cubos da carne branca de frango que se alouram em manteiga até ficarem apenas selados. Regam-se com caldo de carne com muita abundância e quando estiver a ferver junta-se aletria para cozer em conjunto. Junta-se massa de pimentão picante e tempera-se com sal e pimenta. Deixa-se ferver até estarem o frango e a massa muito bem cozidos. Retira-se do lume e reduz-se a creme com uma varinha mágica. Serve-se com sumo de limão.
Não sei se a receita está completa. A sopa que lá comi estava deliciosa.
Depois foi servida uma taça grande de arroz branco, coberto de um apurado picado de cordeiro. Cada um com garfo ou colher retirava uma porção. Não havia pratos individuais, mas também não havia discussão dos pedaços retirados.
Para terminar os famosos Baklavas, doce típico turco que consiste num pequenos rolos de massa folhada recheados de frutos secos trabalhados com mel. Alguns acreditam que tem poderes afrodisíacos!
Para beber apenas água e refrigerantes, e no final o tradicional chá vermelho da Turquia.
Mas mais importante que a própria comida foi o acto de comer em conjunto. A forma como decorreu o encontro, valeu mais que o valor gastronómico da refeição e o quase festejo de se alimentarem depois do sacrifício imposto pela religião. Que confessam não ter sacrifício, algum expressando-se com convicção. Curioso notar que um elemento quase não comia. Discretamente interroguei-o e disse-me que não tinha muita fome pois cumpria pouco com aquela prática religiosa. Afirmava, nos seus vinte anos, que tinha descoberto os prazeres da vida…!
Estas questões de religião são sempre difíceis de abordar pois começa-se sempre por uma questão de fé. Naturalmente sem discussões. O curioso é observar como todas as religiões interferem, e sobretudo marcaram, nos hábitos alimentares em todo o mundo.
Concretamente a carne, que é um dos alimentos mais valorizados, é em simultâneo o produto mais perseguido, com mais medos, e mais proibido. Da mesma forma que é dos produtos mais exultados, e continuando a ser um elemento identificador da gula.
Se o cabrito, borrego ou cordeiro são dos animais mais aceites e glorificados na alimentação de várias religiões, o porco é o mais banido.
Cá por Portugal, ou por razões económicas (o porco faz parte dos alimentos de subsistência), ou por observação ou provação para denúncia dos judeus, elevámos, e com muito saber e múltiplos sabores, o porco a elemento permanente da nossa culinária regional. E mais com honras de alto pedestal, utilizando da ponta do focinho à ponta do rabo. E as suas entranham também.
O porco foi o principal elemento diferenciador entre os cristãos de um lado e os muçulmanos e judeus do outro.
Hoje em dia para muitos a religião passa pela estética do corpo e as carnes e outros alimentos são trocados por vegetais e muitas vezes por pouca comida… e com a ausência dos seus prazeres.
BOM APETITE!
© Virgílio Gomes
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2007.11.04
por José Agostinho Fins
Fome!... alimento da abundância extravagante, gulosa, desmedida,
Nos salões dourados e palácios cristal da crueldade e vilania,
Nas noites negras do prazer, da cegueira mais esquecida,
Das figuras sem figura, de sorriso oco, de alma sem alma e vazia!...
Fome!... pasto da pobreza envergonhada, de olhar frio e baço,
Vivendo na esperança vã de não ter de seu mesmo nada,
Ou na revolta de não poder erguer-se da condição humilhada,
Estampada no rosto, de quem à caridade estende o braço!...
Fome!... prenúncio cruel de corpo sadio que vai morrendo,
Invólucro inerte de alma sofrida já feita toda em pedaços,
Em lancinante agonia, percorrendo os caminhos da sorte!!...
Bailado de salsas lágrimas no rosto de cera correndo
De mulher embalando já feito nada filho seu nos braços!...
Fome!... espada nua, afiada, sombra negra da morte!...
Agrochão - Vinhais
06/Setembro/2007 // 23:40
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2007.11.01
GOMES MONTEIRO, VULTO DAS LETRAS TRANSMONTANAS E NACIONAIS
por Paulo Sá Machado
Até há bem pouco tempo poucos se lembrariam de algumas obras escritas por Joaquim Gomes Monteiro, assim como do seu rico e interessante percurso de Jornalista. Escritor, Ensaísta e Director de Jornais e Revistas, algumas delas referências no panorama literário nacional.
Depois da reedição de “Feras no Povoado”, um dos romances mais significativos de Joaquim Gomes Monteiro, edições Caixotim e incluído na prestigiada colecção “Caixotim Clássico”, a edição também em Galego numa tradução de Concha Martinez, “Feras na Vila – Memorias dun Guerrilleiro”, podemos dizer que Gomes Monteiro está junto aos Mestres da Literatura Portuguesa, lugar que há muito merecia ocupar.
A Câmara Municipal reconheceu o prestígio do Escritor e filho de Boticas, pelo que propôs ao Ministério da Educação que à Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de Boticas, fosse atribuído o nome de Gomes Monteiro, o que veio a acontecer por Despacho nº 12 980/2007 de 31 de Maio. Assim as Escolas de Boticas foram rebaptizadas como Agrupamento de Escolas Gomes Monteiro, Boticas.
Gomes Monteiro nasceu em Boticas a 5 de Junho de 1893, filho de Joaquim Maria Monteiro Chaves, também natural de Eiró, abastado comerciante e industrial, com negócios em Ramos, Rio de Janeiro, Brasil, onde esteve estabelecido durante quarenta anos, e de Mafalda Gomes de Vilarinho Seco, lugar das Alturas.
Cedo foi Gomes Monteiro para o Porto, onde frequentou o Liceu. Com 19 anos de idade inicia as suas lides jornalísticas. Em 1912 dirige “A Voz de Leça”, para no ano seguinte, orientar e praticamente dirigir “Notícias de Cantanhede”.
No Porto, vive na Casa Amarela, na Rua Oliveira Monteiro, que pertencia a seus familiares e onde foi acolhido, após a sua saída de Boticas. Em 1913-1914 colabora no Jornal “A Manhã”
Após o seu regresso a Lisboa, em 1915, depois de ter participado em Angola, nas campanhas do sul da Colónia, entrou para o Diário “A Situação”, chegando a Chefe de Redacção. Seguidamente, transfere-se para a redacção do ”Século”e passa para o “Diário de Notícias”. Começa por ser redactor, sobe profissionalmente e estava no arquivo quando a morte o leva.
O ano de 1932 é o de maior criatividade de Gomes Monteiro, publica o seu primeiro livro de poesia “As Mulheres que amaram Jesus”, com uma dedicatória “Às santas velhinhas da minha terra que embalaram a minha orfandade orgulhosa” e um importante depoimento-prefácio onde se identifica com as suas origens – Eiró - Boticas. Interessante verificar-se que Gomes Monteiro recorda com profunda saudade o seu Barroso, seu Eiró, a sua Boticas, sempre presente na sua obra.
Demonstra nesta obra a sua alma de poeta (que também o era), uma profunda tristeza por não ter sido acarinhado por seus pais, de quem sempre esperou uma palavra amiga, de um agasalho, de carinho.
Também publica “A Freira que morreu de amor (Soror Maria da Misericórdia)”, “… pretendemos fazer a apresentação duma freira portuguesa que, apaixonada por certo capitão francês, se perdeu e morreu de amor. Todos irão supor – estamos mesmo a vê-lo – que se trará da famosa Soror Mariana Alcanforado, de saudosíssima memória … Pois não é assim”.
Também em 1932, ” faz sair, “Vieira de Castro e a sua tragédia”, que dedica à Memória do “Zé Pires”, modesto condenado a trabalhos forçados no Depósito Geral de Degredados de Luanda, um interessante livro camiliano, onde o romancista e Ana Plácido são protagonistas
No ano seguinte 1933, sai “A inocência de Urbino de Freitas”, história romanceada do médico, Professor da Escola Médico Cirúrgica do Porto (mais tarde Faculdade de Medicina da U.P.) que foi acusado inocentemente (?) de ter envenenado os seus sobrinhos.
“A Dama do Seio Mutilado” dado à estampa em 1934 é uma obra baseada no percurso amoroso de um seu Amigo, onde este lhe conta a sua história de amor, com uma donzela russa, que o levou ao suicídio em Londres.
Em 1941 e numa edição de Romano Torres, surge o livro de Gomes Monteiro dedicado a “Bocage Esse Desconhecido”, que é quase um repositório do percurso literário e poético de Bocage, para além de um retrato rectificativo do imaginário criado à volta do satírico, mordaz e inteligente poeta.
O “Anti-livro de S. Cipriano” mereceu na “Vida Mundial Ilustrada” de 16 de Abril de 1941 o seguinte referência: “Jornalista e escritor com uma obra sincera e fecunda como se impôs, há muito tempo, à consideração da crítica e à preferência do público. O ilustre romancista de “A Dama do Seio Mutilado”, o historiador de “As Duas Catarinas da Rússia”, o poeta de “As mulheres que amaram Jesus” e autor de tantas outras obras que, a seu tempo, mereceram os melhores louvores aos comentadores do panorama literário português, lançou agora um novo volume que, desde já se afirma como um extraordinário êxito de livraria – O Anti-livro de S. Cipriano” – obra cheia de curiosas revelações e de ensinamentos, mais uma notável contribuição para a sua brilhante carreira literária.”
O livro “Vencidos da Vida” – Relance Literário e Político da Segunda Metade do Século XIX – surge em 1944, numa edição Romano Torres. Aparece a célebre foto de Eça de Queiroz, Oliveira Martins, Antero de Quental, Ramalho Ortigão e Guerra Junqueiro, e uma outra já com o grupo de os “Vencidos da Vida” completo, onde, para além dos referenciados, se podem ver: Conde de Ficalho, António Cândido, Conde de Sabugosa, Carlos Lima Mayer, Carlos Lobo de Ávila, Marquês de Soveral e Conde de Arnoso.
A sua obra mais emblemática, “Feras no Povoado”, é um interessante e preciso relato da vida no Barroso, com especial incidência em Eiró – Boticas, editado em 1947, pela Empresa Nacional de Publicidade, este romance sobre Boticas e as suas gentes tem ilustrações de Stuart de Carvalhais (1) representando a Vila, como era em 1940.
Dedica o romance à sua irmã que não chegou a conhecer.
A veneranda freguesia do Eiró, situada na falda meridional do Leiranco, continua a ser, com pequena diferença, o que era há duzentos anos. Hoje, quem trepar ao planalto barrosão, encontrara ainda a brenha selvagem dos tempos de Nuno Álvares, que segundo a tradição, ali teve senhorios…
Assim inicia Gomes Monteiro o seu romance, um defensor do “cabralismo” raro para a época, contra os miguelistas e a esquerda liberal.
Como curiosidade, refira-se que este ano (2007) se assinalam 60 anos da edição das “Feras no Povoado” de Gomes Monteiro.
É o seu romance mais conhecido e reconhecido. É um hino de saudade a Boticas, como se pode comprovar, bem como ao seu início de vida.
A Editorial Minerva publica em 1948 “O Drama de Gomes Leal” com inéditos do Poeta. É a resenha quase biográfica, a que Gomes Monteiro imprime um ritmo e uma escrita cheia de requinte literário, que faz com que o biografado realce sobremaneira. Um requinte de escrita.
Em 1950, publica o seu último romance “A Revisão do Processo de Jesus”, que mereceu no Diário de Notícias a 26 de Março, a seguinte crítica:
Joaquim Gomes Monteiro usa o pseudónimo de “Sérgio de Montemor”. Como Jornalista no Diário de Notícias chega a Chefe da Biblioteca do Arquivo do Diário de Notícias, onde morre ao serviço do Diário lisboeta.
Dirige também o Jornal “Sports” e a revista “ Cine”, tendo sido redactor e depois Director do “Arquivo Nacional”, substituindo em 1939, o Director Rocha Martins, um franquista que é deputado monárquico em 1919.
Gomes Monteiro dispersa a sua extraordinária actividade por outros jornais e revistas, sendo redactor do “A B C” e da “Ilustração”, dirigida por João de Sousa Fonseca e editada pela Livraria Bertrand.
Dedica-se a escrever sobre história, estudos histórico-literários, ensaios políticos, biografias, fazendo incursão pela poesia, etc, como atestam os inúmeros títulos publicados. Praticamente todos os livros são profusamente ilustrados, uma curiosidade para a época, neste género de trabalhos. É também tradutor consagrado, tendo traduzido obras de Alexandre Dumas, Victor Hugo, Ponson du Terrail, entre outros.
O escritor, ensaísta, historiador e jornalista morre a 8 de Dezembro de 1950, com 57 anos, na Freguesia de S. Sebastião da Pedreira, Lisboa.
Hoje podemos afirmar que Gomes Monteiro, para além de ter voltado ao escaparate das Letras Portuguesas, tem a admiração e respeito de todos nós.
Posted at 09:54 by ntmad
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CONSELHO REGIONAL DA CTMAD - REUNIÃO DE 2007.10.09
Reuniu o Conselho Regional da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro (CTMAD) no passado dia 9 de Outubro de 2007. A Ordem de Trabalhos Proposta foi:
1. Informações;
2. Sessão preparatória do Encontro Regional proposto pela CTMAD de Lisboa — Mirandela, Julho de 2007
3. Outros assuntos de interesse geral
A reunião iniciada às 18.20 horas, foi presidida pelo presidente da Mesa, Dr. Duarte Vaz, coadjuvado pelos Vice-Presidente e Secretário. Estiveram presentes 20 conselheiros, e justificaram a sua falta três conselheiros.
Iniciada a reunião, foi dada explicação aos Conselheiros do adiamento da reunião do Conselho que estava prevista para 2 de Outubro, a indisponibilidade do Vice-Presidente da Mesa. Seguidamente a acta da reunião anterior foi aprovada por unanimidade. No ponto de informações para além da referência ao aniversário da CTMAD, foi referido que o local aonde foi lançada a primeira pedra da Sede se encontrava muito maltratada, e que este facto era desmotivador dos sócios.
Passando ao segundo ponto da Ordem de Trabalhos, o Vice-Presidente da Mesa deu ampla informação aos conselheiros sobre a sessão de Mirandela em debate, por ter estado presente, tendo-se procedido a uma proveitosa troca de impressões, tendo sido referidos a importância de se prosseguir com esta iniciativa, e a necessidade de cada conselheiro estar cada vez mais em ligação com o respectivo Conselho, para ajudar ao sucesso destas iniciativas.
No terceiro ponto da Ordem de Trabalhos foi referida a necessidade de incluir na próxima ordem de Trabalhos um ponto sobre a questão da Sede social, e visto ser a última reunião, proceder-se ao balanço da actividade do Conselho Regional, devendo cada Conselheiro testemunhar de que modo contribuiu para a ligação ao Concelho de que é oriundo.
Sem mais questões a serem discutidas, e esgotada a Ordem de trabalhos, procedeu-se à marcação da próxima reunião, para o dia 11 de Dezembro pelas 18.00 horas, e o Presidente da Mesa deu por encerrada a reunião. Seguiu-se o habitual jantar de confraternização com a Direcção.
CTMAD, 9 de Outubro de 2007
A MESA DO CONSELHO REGIONAL DA CTMAD
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2007.10.27
ASSEMBLEIAS GERAIS DA CTMAD EM JANEIRO 2008
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2007.09.18

Caros Amigos e Associados!
Após as boas e merecidas férias, aqui estamos de novo, de regresso à vida da Casa, para dizer a todos em geral e aos mais dedicados em particular que a vida da Casa não está fácil e, em jeito de triste desabafo, diremos que, desde há seis anos, esta é a pior crise, o mais pobre momento que enfrentamos.
Os associados, como repetidamente temos avisado, esquecem-se da Casa, não pagam as quotas e muito menos aparecem.
Querem que lancemos mãos do depósito a prazo para suportar as despesas correntes?
Amigos e associados, a propósito da crise, dou-vos um só exemplo: durante o mês de Agosto, não houve meios para pagar ao nosso funcionário e, apesar disso, não deixou ele, em colaboração com alguns membros da Direcção, de assegurar o funcionamento da Casa.
Só os associados poderão por termo a esta situação.
Mas, se esta é uma forma de reagir contra a actual Direcção e se pensam que esta é a atitude correcta, reconhecerão, com facilidade, que quem fica prejudicada é a Casa pelo que, bom era que os relapsos reflectissem um pouco sobre este assunto e digam, de uma vez por todas, se devemos ou não manter a Nossa Casa Trasmontanoduriense a fim de não nos obrigarem a incomodá-los e a tomar as providencias que cada caso em particular reclamar.
Aproxima-se a festa de aniversário da Casa, repartida por três dias e, como do programa se alcança, ele está marcado pela contenção da despesa.
O local escolhido não é o mais central nem será o melhor mas é, seguramente, aquele que menos custos importa e, em tempos de grandes dificuldades e escassez de meios que atravessamos, há que aproveitar a generosidade de um grupo de associados que conseguiu o espaço e gratuitamente executarão o jantar com noite de fados e de agradecer a amabilidade da Junta de Freguesia de Marvila.
A decisão sobre o local e o programa gizado obedecem ao desejo de a Casa homenagear a grande colónia de trasmontanodurienses ali residentes, porventura dos mais esquecidos da fortuna, mas dos mais disponíveis e generosos para com a Casa.
E, desta forma, honrando-os com a nossa presença, estamos também a prestar-lhes a nossa solidariedade e a agradecer-lhes os prontos contributos na execução das festas da Casa.
E, como todos sabem, esta Casa tem muita gente que pensa e, por vezes, muito bem, mas tem muita pouca gente que execute e menos ainda quem a apoie.
Por isso amigos e associados vamos todos aparecer massivamente na festa de aniversário da Casa, degustar uma boa posta de vitela da nossa Terra, a um preço de certo modo simbólico, cuja receita reverterá para as despesas correntes da Casa.
Por isso, em face da necessidade de superar a grande crise, ante o imperioso desejo/ necessidade de fortalecer o espírito trasmontanoduriense, perante a homenagem e agradecimento ao grupo de trasmontanodurienses do bairro do Condado e dos demais bairros da freguesia de Marvila, esqueçamos as dificuldades/contrariedades do local e do momento ou até alguns preconceitos e vamos todos estar presentes na festa do aniversário da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro.
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SINTESE NOTICIOSA DE SETEMBRO
A A24 COLUNA VERTEBRAL PARA O DESENVOLVIMENTO TRANSMONTANO
Talvez a classificação de "dia histórico" possa parecer desmesurada, mas a verdade é que o dia 24 de Junho foi muito importante para todo o interior norte, para a região transmontana e, sobretudo, para o distrito de Vila Real. Com efeito, o Primeiro Ministro de Portugal, Eng. José Sócrates, ele próprio de naturalidade transmontana, acompanhado de representativa comitiva governamental, inaugurou, em Vila Pouca de Aguiar, o último troço da auto-estrada A24. Esta via, que para já liga a cidade de Viseu à Espanha, na fronteira de Vila Verde da Raia/Chaves, passa a constituir a verdadeira coluna vertebral rodoviária do distrito de Vila Real. Certamente que a excelência desta via irá atrair investimentos à Região extraindo dela e colocando nela reais valias que a situarão no plano do desenvolvimento que todos nós transmontanos desejamos. A A24, com uma extensão de 155 Km entre Viseu e Chaves (fronteira), é parte integrante do traçado IP3, projectado para ligar a cidade da Figueira da Foz à Galiza (Espanha).
A A7 LIGA-SE À A24
Um mês depois, a 28 de Julho, com a conclusão dos 5,3 quilómetros finais da A7, foi estabelecida, em Vila Pouca de Aguiar, a ligação da auto-estrada nº7 à A24, sendo agora possível partir de Vila do Conde, no litoral, e, sempre em auto-estrada, chegar a Chaves, bem no interior, seguindo para Espanha e toda a Europa. A nossa região, sobretudo o distrito de Vila Real, está, finalmente, a ser dotado das acessibilidades de que sempre necessitou e reclamou para cortar o isolamento que a geografia e o desinteresse humano lhe ditaram durante séculos, havendo agora fundadas razões para vê-la dar o salto qualitativo no plano do desenvolvimento e da modernidade.
AQUANATTUR,UM PROJECTO TERMAL DE 48 MILHÕES DE EUROS PARA VIDAGO E PEDRAS SALGADAS.
A Unicer, proprietária da exploração das águas minerais do Vidago e Pedras Salgadas, decidiu investir na renovação dos Parques Termais, fazendo deles um pólo de elevado potencial económico industrial e turístico. A renovação passa pela recuperação do Grande Hotel Palace, do Vidago, pela construção de um SPA, nas Pedras Salgadas, pela conversão dos dois parques e ainda pela criação de infra-estruturas industriais capazes de rentabilizar no mercado interno e externo as marcas das águas Vidago e Pedras. O projecto de recuperação, apresentado ao público, em Junho é da responsabilidade do arquitecto Siza Vieira e a execução das obras foi atribuída à empresa Empreiteiros Casais.
RAÇA ASININA MIRANDESA
Há nas terras nordestinas transmontanas, sobretudo a norte do concelho de Miranda do Douro, uma raça de burros dotada de um conjunto uniforme de características que a tornam única e, como tal, classificada de património genético a preservar. Os burros desta raça apresentam as seguintes características morfológicas: Mais ou menos um metro e trinta de altura, corpulentos, de pelugem castanha escura, mais clara nos costados, branca no focinho e contorno dos olhos, pêlo comprido e abundante na face, nos costados, bordos das orelhas e extremidades das pernas, crinas abundantes, cabeça volumosa, fronte larga, franja sobre a fronte, arcadas orbitárias salientes, lábios grossos e fortes, orelhas grandes e largas na base com abundante pilosidade, arredondadas na ponta e dirigidas para a frente, olhos pequenos, pescoço curto e grosso, dorso curto tendendo para a horizontalidade, peitoral amplo com quilha saliente, ventre volumoso, membros grossos com pêlo abundante cobrindo os cascos, cascos amplos, grande amplitude no andamento, mas lento. Rústicos, sóbrios, longevos e polivalentes, estes simpáticos burros são valentes, dóceis, pacientes, sofredores, resistentes à seca e satisfazem-se com forragens pobres. Úteis como animais de sela, serviram e servem nos trabalhos agrícolas e nos transportes. Por isso foram sempre companheiros do homem. Por razões diversas, que todos podemos descobrir, estes simpáticos e úteis animais correm o perigo de extinção. Para evitá-la foi criada a AEPGA (Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino). Fundada em Junho de 2002, tem desempenhado um excelente trabalho não só nas campanhas de estudo, sensibilização e preservação destes animais genuínos, mas também na sua divulgação e novas utilizações como em determinadas terapias e passeios turísticos pela região. A Associação também apadrinhou a ideia de promover a adopção destes simpáticos e úteis animais.
Já se imaginou "dono por adopção" de um destes simpáticos burricos ? Contacte AEPGA por Tel. 273 739 307, Tlm. 914 093 724, Av. da Escola Preparatória, apartado 10, C.P.5225-909 SENDIM, Informe-se www.aepga. pt.
Nota : Estes dados técnicos, entre outros de real valor, foram-nos fornecidos, com muita amabilidade e interesse, pelo Senhor Dr. Abreu Lopes, Ilustre Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa, a quem agradecemos.
ESCOLA SECUNDÁRIA ABADE DE BAÇAL ELEGE AS 7 MARAVILHAS DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
Num concurso interno "on-line", professores e alunos desta escola bragançana, durante cinco meses votaram à escolha em 21 obras salientes da região transmontana e, no dia 7 de Julho, em festa apropriada, deram a conhecer o resultado da votação.
Eis as 7 maravilhas eleitas: 1- Domus Municipalis, em Bragança; 2- Castelo de Bragança; 3- Santuário do Santo Cristo, em Outeiro/Bragança; 4- Palácio dos Távoras, em Mirandela; 5- Igreja dos Clérigos, em Vila Real; 6- Palácio de Mateus, em Vila Real; 7- Conjunto da Barragem do Picote, em Miranda do Douro. Uma iniciativa interessante que, a brincar, divulgou cultura e saber.
MIRANDELA NO CAMINHO DA ATRACÇÃO E DESENVOLVIMENTO
A linda cidade do Tua não pára de se alindar, desenvolver e dar a conhecer. Ao longo do ano são muitas e variadas as iniciativas promocionais, mas na época do Verão os eventos de qualidade e projecção multiplicam-se. Repare-se: As tradicionais festas da Senhora do Amparo, (Agosto) cartaz indispensável no panorama religioso e popular de toda a Região que, na continuidade de sempre, se tornam cada ano mais bonitas e famosas; a VIII Mostra dos Produtos Regionais, (14/22 de Julho) grande montra de produtos comercializáveis anunciando múltiplos sabores apetecíveis; Campeonato Nacional e Campeonato Europeu de Jetski (Julho) espalhando nas águas brilhantes do espelho do rio Tua o colorido, o frenesim, a emoção; e, caso único no País, a festa da Geografia, (14/22 de Julho) uma iniciativa cultural e económica, que reuniu muitos prestigiados académicos nacionais e estrangeiros para discutirem problemas inscritos no âmbito da geografia física, política, humana e económica.
Situada no rio Tua, junto ao jardim Dr. José Gama, nasceu uma nova praia fluvial, com água de qualidade certificada, com 3 mil metros quadrados de areal, dotada de infra-estruturas sanitárias balneários e de exigentes condições de segurança. Turistas e residentes encontram assim mais um espaço de lazer e frescura para atenuar os "três meses de inferno" da Terra Quente, que a tradição, só por força da tradição, continua a proclamar. Mirandela é uma terra linda para se visitar e admirar. Experimente e verá.
AGOSTO, MÊS DAS FESTAS E DO REENCONTRO
São cada vez mais os transmontanodurienses espalhados pelo país e pelo mundo. Apesar das visíveis e inquestionáveis melhorias materiais operadas nas nossas terras, que só por si são razões de atracção, a verdade é que os transmontanos continuam a sair e procurar fora o que ainda não conseguem obter dentro. Migram e emigram. Mas voltam sempre. Para rever campos, velhos caminhos, cantinhos de brincadeira escondidos na sinuosidade de ruas empedradas, a fonte de mergulho, as casas feitas de xisto ou granito. Voltam de coração alvoroçado e alegria nos olhos para se banharem no ribeiro do seu povo ou do povo vizinho, para rezar na igreja onde foram baptizados e, porventura, casaram, para colocar uma flor singela sobre a campa dos antepassados cuja memória repousa infinda no acanhado cemitério de muros brancos lá da aldeia. Ah, como é bom regressar, mesmo tendo a certeza da necessidade de voltar a partir. E o mês de Agosto, o mês das férias, é o mais propício para libertação do corpo e do espírito, porque é também o mês das festas.
E as festas, cheias de gente, de cá e de fora, encheram este Agosto transmontano.. Fizeram-se notícia principal. De sucesso. Não só as festas grandes, as grandes e tradicionais romarias que desde longas eras levam milhares de forasteiros a Lamego, à Régua, a Bragança, a Vila Flor/Vilas Boas, a Mirandela, a Valpaços, a Boticas, a Mondim etc., mas também as simpáticas, familiares e coloridas pequenas festas que encheram de risos misturados com música e foguetes, os pequenos lugares. Sabemos de festas rijas em Mogadouro, Carção, Salsas, Rabal, Urrós, Sendim, Vilarelhos, Santulhão, Moncorvo, Torre D.Chama, Vinhais, Mouçós, Vilarandelo, Montalegre
MIRANDA DO DOURO RECUPERA RIO
Fresno é o nome do rio que passa em Miranda do Douro. Era um pobre rio com pouca ou nenhuma água, invadido pelo mato selvagem, vazadouro de trapos e cangalhos, uma vergonha ali, ao lado de uma terra linda com 462 anos de cidade e muitos mais de povoação de gente orgulhosa e rija. Por isso mesmo a Câmara, numa visão progressista e dignidade, decidiu alterar a situação e transformar o foco de poluição que era o Fresno, num lugar de lazer e pulmão purificador. Após três anos de trabalhos, com muitas e avultadas despesas, recuperou-se o rio e as margens, arranjaram-se equipamentos, fez-se um Parque Urbano, no qual apetece andar e ficar. Bom para o aspecto da cidade, bom para os residentes, bom para os turistas. Parabéns, Miranda, vocês aí, bem no Nordeste, merecem.
A BARRAGEM DO SABOR VAI AVANÇAR
A Comissão Europeia finalmente decidiu. Deu luz verde ao Governo Português para avançar com a construção da Barragem do Sabor, se assim o entender. Recorde-se que a construção desta barragem havia sido uma promessa feita à região pelo Governo Socialista quando suspendeu a Barragem do Vale do Côa por causa das pinturas rupestres paleolíticas ali encontradas. A determinado momento, o projecto da barragem passou a ser alvo de contestação por parte das associações ambientalistas que junto da União Europeia argumentaram com razões sérias. O problema arrastou-se durante anos até à decisão recentemente tomada. A barragem irá concorrer para regularizar o caudal do rio Douro e dará forte contributo à produção de energia hidroeléctrica. Vão ser investidas algumas centenas de milhões de euros no empreendimento e serão criados, nesta primeira fase, mais de mil postos de trabalho. Falta saber quais os benefícios futuros que dela resultarão para a região e quanto pesarão na melhoria de vida das populações locais. Uma e outras têm direitos que devem ser teimosamente regateados até à parcela ínfima, numa exemplar união de esforços, por todos aqueles que, para o efeito, estão mandatados pela legitimidade do voto.
A PONTE INTERNACIONAL DE QUINTANILHA ESTÁ PRONTA
Esta ponte internacional, construída de comum acordo por Portugal e Espanha, que dá continuidade ao IP4 e liga o nosso país ao país vizinho na antiga fronteira de Quintanilha, concelho de Bragança, está praticamente concluída, faltando-lhe apenas a colocação do tapete betuminoso. No entanto, devido ao atraso das obras no sector espanhol, só deverá abrir ao trânsito no final do ano.
A ALMA E A GENTE EM SABROSA
O Dr. José Hermano Saraiva, historiador muito popular pelos excelentes programas televisivos que tem criado, andou por terras de Sabrosa a recolher elementos e fazer filmagens destinados a um programa a integrar na série "A Alma e a Gente". Dizem-nos que ele andava fascinado com a simpatia das gentes e com as belezas paisagísticas da região, cognominando Sabrosa de a "Sintra do Douro". Se a programação for respeitada, esta mostra de Sabrosa será transmitida no canal 2 da RTP, no dia 9 de Setembro, pelas 21H30 horas. Obrigatório ver.
TEMPESTADE DE GRANIZO FUSTIGA TRÁS-OS-MONTES
Nos últimos dias de Agosto (25/26) fortes trovoadas acompanhadas de granizo de inusitadas proporções caíram sobre algumas partes da região transmontana provocando danos consideráveis nas vinhas, pomares, nos telhados e nos automóveis. Os concelhos mais atingidos foram os de Vila Flor, sobretudo as povoações de Arcos, Samões e Seixo de Manhoses, Mirandela e Valpaços, nomeadamente na vila de Carrazedo de Montenegro. O Ministério da Agricultura, apesar de proceder ao levantamento dos prejuízos, não mostra disponibilidade para ajudar os agricultores a suportá-los.
DIA 12 DE AGOSTO DE 1907
Este dia está inscrito no calendário como um dos mais relevantes da história de Trás-os-Montes e Alto Douro. Com efeito, na aldeia (hoje vila) de S. Martinho de Anta, no concelho de Sabrosa, nasceu uma criança que foi baptizada com o nome de Adolfo Correia da Rocha e viria a tornar-se num dos poetas e escritores maiores da língua portuguesa com o pseudónimo Miguel Torga. Viajante de muitas terras, comungante de várias culturas ficou sempre arreigado ao chão natal, cuja alma sentiu e descreveu como ninguém. Por isso, ele é o Grande Transmontanoduriense.
Este ano, em diversos locais, com várias iniciativas e programas, tem sido comemorado o 1º Centenário do seu nascimento. Para sua memória e glória.
A divulgação da profundidade da alma expressa no vinco de cada ruga pintada pelo seu conterrâneo Jorge Marinho são o preito da nossa admiração e homenagem.
Posted at 08:10 by ntmad
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