Orgão da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa
NOVO !
Leia o nosso jornal (em pdf):
ARTIGOS MAIS LIDOS
Peça a Revista do Centenário
A história da nossa Casa, pelo Dr. Armando Jorge. Adquira já ! preço:10 €
Entrevista do Dr. Nuno Aires
ao Portugal no Coração
A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro e' a associação regionalista mais antiga de Lisboa. Foi fundada por alvara' régio de 1905.09.23. E' uma Pessoa Colectiva de Utilidade Pública, sem fins lucrativos.
E' Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique.
Seja sócio da CTMAD fazendo o download da ficha: Em formato PDF
ou Em formato Word
e enviando-a devidamente preenchida.
Para débito directo preencha esta ficha.
O MAGUSTO DA CTMAD - grande euforia e grande festa 2007
Aconteceu no dia 18/11/2007. Foi muito concorrido e tudo se desenrolou como estava previsto no Externato Marista de Lisboa, que mais uma vez nos disponibilizou gratuitamente as suas excelentes instalações, que desde já agradecemos.
Pela manhã apareceram bem cedo os expositores. Marcaram os lugares, expuseram os produtos e fizeram os planos de trabalho para o dia todo. Estiveram presentes: Pastelaria Nilde de Lisboa, Enchidos Angelina, Cooperativa de Olivicultores de Valpaços, Os Genuínos Pastéis de Chaves, Ribeira dos Moinhos - Fumeiro Regional do Jorge de Vinhais, Maria Cândida Mourão Carvalho (A Rolinha de Moncorvo), Mário Fernandes- Franquimel, Panificadora Moutinho, Ancestral Transmontana - Fumeiros, Padaria Fontoura, Azeites Rosmaninho e Vinhos de Valpaços, Casa da Amoreira de Canavezes Valpaços, Doces de Basto -Atei - Mondim de Basto, Enchidos Aurélios - Vinhais - Rebordelo e Frutemonte de Carrazedo de Montenegro. Eram muitos e todos venderam bem, segundo informações colhidas no local. À primeira vista eram expositores a mais, mas todos ficaram contentes e isso é o que mais importa na circunstância.
O dia esteve convidativo e as pessoas compareceram em grande número para conviver, comprar, divertir-se e encontrarem aquele bocadinho da sua terra natal, onde estão as raízes e uma boa parte das suas vidas. A mística transmontana veio ao de cima e o calor das pessoas aqueceu fortemente o ambiente que se criou. Para tal contribuíram em grande os acordeonistas, comandados, convidados e dirigidos pelo Senhor Germano de Padornelos, do concelho de Montalegre. Os outros eram o Sr. João Miranda, o Sr. António Lopes e o Sr. Joaquim Ramos. Esteve com eles ainda a tocar castanholas o Sr. Isidro de Miranda do Douro. Tocaram e puseram toda a gente a dançar cerca de uma hora e tal e só pararam a pedido, pois estava o Grupo Maranus para actuar também na mesma festa. Os acordeões mexiam na nossa identidade, produziam electricidade no corpo e fizeram-nos vibrar até ao mais fundo da alma... Embalados não dávamos pelo tempo a passar. Grande reportório, muita garra e estonteante animação. Obrigado, acordeonistas por tanta coisa maravilhosa que nos fizeram recordar. Veio o lanche e chegou depois o Maranus que continuou a animar a festa até ao entrar da noite, com as músicas do seu vasto e bem recheado menu.´
O lanche ou merenda, como se diz pelos nossos lados, correu bem. Apesar de um ou outro senão, inevitável nas circunstâncias em que nos encontramos, podemos dizer que Trás-os-Montes esteve em Lisboa a mostrar os seus produtos, a sua alma e os seus valores. Foi um dia de festa, felicidade e grande alegria... Estão todos de parabéns.
Porque valeu a pena vamos continuar. Vamos fazer mais festas e vamos chamar os amigos para virem também ajudar à maneira de cada um.
Resta agradecer em primeiro lugar aos Irmãos Maristas, em especial ao Irmão Pedrinho, Irmão Francisco, irmão Domingos e a todos os outros e pedir desculpa pela perturbação que lhes provocámos.
Depois agradecemos também ao Sr. Amâncio que nos abriu as portas e à Sra. D. Gracinda que nos garantiu o bar aberto para o café e outras comezainas. Aos elementos da Direcção que ali estiveram a pé firme desde manhã até à noite, dando o seu melhor em trabalho e dedicação, com especial referência às equipas do Manuel Martins e Manuel Ferreira e um agradecimento muito especial ao Sr. Egídio.
Aos que compareceram à festa por serem transmontanos ou somente amigos o nosso sincero obrigado. Aos transmontanodurienses que deixaram de aparecer ou porque não puderam de jeito nenhum, ou porque se esqueceram, ou simplesmente porque não querem nem se importam, quero dizer-lhes que a vida tem de continuar em frente e que continuamos à espera deles. Com certeza temos muito para dar uns aos outros e todos juntos nunca somos demais para defender o que temos de melhor -o berço e a raiz.
Este será o penúltimo editorial que subscrevo pois, como já foi anunciado há muito, nomeadamente na última assembleia-geral ordinária, este ano que termina é ano de eleições na CTMAD e não sou candidato ao cargo de Presidente da Direcção.
Importa, por isso, sem querer ser professor ou pedagogo na matéria, lembrar o renovado desejo de os associados participarem activamente nas eleições, exercerem os direitos de eleger e serem eleitos, subscrever listas de candidatos, participar na elaboração dos programas, apoiar e promover a divulgação das listas e respectivos programas para, deste modo, exercerem cidadania e o indispensável que lhe subjaz.
A vida da CTMAD tornar-se-á mais activa e atraente se os associados apresentarem uma ou duas listas alternativas á que a Direcção apresentar pois só assim haverá participação e só assim daremos prova da nossa maturidade democrática.
Por isso, amigos e associados, toca a reunir na Casa e apresentar uma ou mais candidaturas. Mãos à obra!
Aproxima-se o Magusto, uma festa tradicional da nossa terra e da nossa Casa e façamos dele uma prova de fraternidade regional, esqueçamos pontos de vista divergentes, por vezes até azedos, mas lembremo-nos da nossa qualidade de Trasmontanodurienses e do espírito de romaria que a festa há-de ter.
Lá estarão as habituais vendas dos produtos regionais, a boa fruta e as castanhas de Carrazedo de Montenegro, sem esquecer os enchidos de Vinhais, Valpaços e Mirandela, o bom azeite e o mais que se verá, tudo da Nossa Terra.
E não faltarão as febras e a boa castanha assada, como noutro local damos conta, que este ano, para estimular a participação dos associados e sobretudo daqueles que, tendo as quotas em dia, ver-se-ão modestamente recompensados pela sua regularidade contributiva.
Por isso, amigos e associados, compareçam no magusto, que é no local habitual que já conhecem, no Colégio dos Maristas, em Benfica, Lisboa, levem os vossos amigos e façamos uma grande festa para ver se conseguimos esconjurar a melancolia e a apatia que alguns de nós vivem.
A CTMAD, como já demos conta noutros números, atravessa uma crise financeira que não foi ultrapassada e, por razões de contenção de despesas, teremos de reduzir o número de publicações do jornal motivos por que, sendo este o último deste ano, não será de mais lembrar que teremos de festejar o Natal, que à semelhança de anos anteriores, será no dia 18 de Dezembro.
E, como as nossas instalações não o permitem, importa ter presente que só se aceitarão 80 inscrições, o que vale dizer que só participarão os que atempadamente o fizerem.
Deste modo, em jeito final, daqui mandamos um grande abraço de fraternidade e boa saúde para todos os associados sem esquecer um bom ano de 2008, sobretudo com muitas, muitas, muitas propriedades, digo, prosperidades!
Actor Fernando Marinho, responsável pelo Grupo de Teatro da CTMAD
Com boa assistência o Grupo de Teatro da CTMAD apresentou-se a 22 de Junho no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários de Queluz, com a peça "Casa de Pais", tendo arrancado da assistência forte ovação.
Num jantar de confraternização e camaradagem realizado na CTMAD, no dia 29 de Outubro, comemorou-se o 1º aniversário da estreia oficial do Grupo.
Está o nosso Grupo de Teatro disponível se apresentar com a peça "Casa de Pais" às solicitações das Câmaras Municipais de Trás-os-Montes e Alto Douro, assim como das Casas Regionais congéneres ou outras entidades interessadas.
Continuamos à espera de novos actores (amadores) e outros colaboradores para integrarem o Grupo.
CONCERTOS E ÓPERAS EM S. CARLOS - Bilhetes com 30% de desconto
O "Rigoletto" de Verdi que, com "A Traviata" e "O Trovador", pertence à denominada triologia popular deste compositor, é uma das óperas desta temporada 2007-2008.
No jornal anterior pode reler alguns comentários pessoais a esta ópera cujo libreto foi inspirado na obra de Victor Hugo "Le Roi s'ammuse" que se representava à época em Paris, motivando de imediato Verdi que, por razões da censura vigente, teve de sibstituir a figura de "rei" (então intocável), por um aristocrata, neste caso duque de Mântua.
Temos bilhetes de grupo (poucos) para os dias 17, 18 e 20 de Dezembro - contacto Maria Virgínia 213 471 829 e 966 138 761. Há também bilhetes para "Os contos de Hoffmann" de Ofenbach a 9 de Abril e para "A Tosca" de Puccini a 17 de Maio. As óperas começam às 20 horas, excepto "A Tosca" cujo espectáculo é às 16 horas.
Gosto de lembrar que ninguém é conduzido ao lugar, quando as luzes se apagam e entra o maestro, sendo necessário esperar pelo intervalo.
Tal como anunciado, no dia 19 de Outubro, cerca de 40 asociados, familiares e amigos emocionaram-se com uma Gala de Ópera seguida da Nona Sinfonia de Beethoven.
Vários cantores líricos cantaram (e encantaram) reconhecidos trechos de óperas. Entr os cantores ouvimos o notável José Cura cuja carreira polifacetada se concretiza também na direcção de orquestra, tendo sido ele a dirigir a Nona Sinfonia, na segunda parte do do espectáculo.
Nunca será demais repetir que a Nona Sinfonia, com a Ode à Alegria, é Património da Humanidade e a mais convincente das imagens da Utopia.
"Todos os homens se tornam irmãos", o mais célebre verso do poema de Schiller "An die Freude", genialmente musicado por Beethoven no 4º andamentoda sua Nona Sinfonia, emocionou-nos a todos porque o espectador também se dá ao espectáculo quanto o artista. esse fluido mágico, entre o palco, arte de dar, perpassou na sala, arte de receber, activa e calorosamente.
Aquelas palavras cantantes que Beethoven (apesar do seu cárcere de viver na surdez profunda) nos fez escutar imersos no belo, tornou real e possível, "todos os homens se tornam irmãos".
E José Cura, então maestro, no meio dos muitos aplausos finais, levanta a partitura da estante e ostenta-a nas suas mãos, reafirmando ao público que o grande criador da obra é Ludwig Van Beethoven.
Vai decorrer, ou já decorreu, (conforme a data da publicação do jornal) entre os dias 29 de Novembro e 2 de Dezembro. Trata-se de uma excelente amostra das actividades artesanais e gastronómicas de todo o distrito e não apenas do concelho. Danças e Cantares da Região animarão a festa. A Feira, que vai na X edição, é uma organização da NERVIR, com a colaboração da Câmara Municipal. Este ano terá a participação das cidades geminadas com Vila Real.
VINHOS PORTUGUESES ENTRE OS MELHORES DO MUNDO
A conceituada e influente revista norte-americana Wine & Spirits colocou quatro vinhos portugueses entre os 100 melhores do mundo. Destes 4, três são da nossa região: Quinta do Crasto 2004, Douro; Taylor Porto Vargellas 2004; Taylor Porto Vargellas Vinha Velha, 2004. O outro vinho referido é o vinho verde Alvarinho, Quinta do Feital,2005.
MAQUINARIA ENTRA NAS VINDIMAS DO DOURO.
Ainda não é vulgar, mas o caminho está aberto. As vindimas feitas por vindimadores e vindimadeiras está em vias de desaparecer. Com efeito, a máquina vindimadeira entrou nas vinhas do Douro e dadas a suas aptidões em eficácia, rapidez e redução de custos é uma séria candidata à substituição da mão de obra humana. Numa experiência, que se repete pelo segundo ano consecutivo, uma máquina de grandes proporções, conhecida por Barrere, esteve em acção no planalto de Alijó, na Quinta Casal da Granja, da Real Companhia Velha, e efectuou o trabalho de vindimar com grande eficiência, sendo manobrada por apenas um homem. Devido às características dos terrenos durienses a introdução generalizada da vindima mecânica ainda vai tardar, mas o futuro já começou.
AERÓDROMO DE MIRANDELA QUER SER O MELHOR DA REGIÃO
A pista actual de 800 metros de comprimento foi recentemente alcatroada e o hangar existente recebeu obras importantes de beneficiação. Os 400 mil euros investidos são apenas um estímulo para novos voos, pois o presidente do Aero Clube espera que sejam construídos dois novos hangares, um posto de abastecimento, uma torre de controlo para fazer dele um aeródromo capaz de satisfazer as exigências necessárias à realização de eventos ligados à aeronáutica civil.
TORRE DE MONCORVO, TERRA DA AMÊNDOA
Entre os dias 04 e 07 de Outubro decorreu a II Mostra de Vinhos, Amêndoa e Stock's, uma organização da Associação dos Comerciantes e Industriais, do concelho (ACIM). Houve concurso muito concorrido de doces de amêndoa e dele saiu a ideia de criar um bolo típico da terra com características específicas capazes de permitir a sua identificação regional e com a durabilidade necessária para poder ser comercializado nas grandes superfícies de todo o país. Uma boa ideia à espera de concretização
PROTESTO POPULAR NA FRONTEIRA ENTRE MIRANDELA E MACEDO
É engraçado o episódio e revelador da persistência de "vícios" antigos na nossa terra. Vejamos: a aldeia de Vilares do Monte pertence ao concelho de Macedo de Cavaleiros e a aldeia de Vilares da Torre fica do lado de Mirandela. Ora a Câmara Municipal de Macedo resolveu alcatroar a estrada que liga as duas povoações, mas fê-lo apenas até ao limite do seu concelho. Os restantes 1600 metros de estrada situados no concelho de Mirandela continuam em terra batida e em estado de degradação. Face a tão visível descriminação, as populações reuniram-se no local protestando contra a Câmara de Mirandela. O Presidente da Câmara mirandelense apresentou razões que considera válidas, mas nós perguntamos: Não teria sido possível um acordo entre as duas autarquias evitando esta situação que, no mínimo, é caricata? Pelos vistos, não. Que pena!
FAVAIOS PROMOVE FESTIVAL
A vila de Favaios, no concelho de Alijó, conhecida pelo seu famoso pão e celebrado vinho moscatel serviu de palco, nos dias 13 e 14 de Outubro, ao I Festival das Aldeias Vinhateiras. Um vasto programa recreativo e cultural foi executado pela Oficina de Teatro, pelo Grupo de Cantares, ambos de Favaios, pela Banda Musical de S. Mamede de Ribatua, pelos Zés Pereiras de Sanfins do Douro, Grupo de Percussão de Bidons e outros.
Entretanto, outras aldeias vinhateiras como Barcos, Provesende, Favaios, Ucanha e Salzedas receberam estruturas sinaléticas bilingues (português e inglês) para melhor conhecer e interpretar os pontos de interesse histórico e turístico.
PATRIMÓNIO HISTÓRICO BRAGANÇANO EM RECUPERAÇÃO
No Mosteiro de Castro Avelãs, por iniciativa do IGESPAR (ex-IPPAR) vão recomeçar as escavações nos terrenos contíguos à igreja, com o objectivo de pôr às claras a planta do mosteiro medieval ali existente. O telhado da igreja vai ser objecto de uma intervenção para evitar a infiltração das chuvas
Também já deviam ter começado as obras previstas de intervenção e preservação do monumento ex-libris da cidade, na Domus Municipalis, que incluem limpeza dos granitos, conservação de madeiras, colocação de portas, reparação do telhado. O orçamento, neste caso, é de 30.000 euros, tendo a Caja Duero, espanhola, comparticipado com 15.000.
MONTALEGRE CRIA GABINETE DE APOIO AO EMIGRANTE
Com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, foi assinado em Montalegre o protocolo que cria um gabinete destinado a informar os emigrantes de todos os direitos e obrigações que lhe dizem respeito. Montalegre é um concelho de tradição emigrante, havendo barrosões espalhados por todo o mundo com incidência em França e Estados Unidos.
SERÁ VERDADE?
Leio e não acredito. Mas nunca se sabe. Há sempre quem arranje razões "válidas" para tudo. A questão é saber se serão as mais válidas. Por ter sido classificada, há cinco anos, como "ponte perigosa", dizem que a ponte sobre o rio Sabor entrou agora em obras de manutenção. Se não houver derrapagem, a EP (Estradas de Portugal) vai gastar, pelo menos, os 634 mil euros orçamentados. Acontece, porém, que dentro de poucos anos, se o projecto da barragem não desabar, a referida ponte ficará submersa afundando consigo, para sempre, os 634 mil euros de todos nós. Será possível que aconteça? Parece que sim, que vai ser possível.
A PRIMEIRA COOPERATIVA DA CASTANHA, EM TRÁS-OS-MONTES
Nasceu em Macedo de Cavaleiros, no dia 06 de Setembro, com o nome "Cooperativa Agrícola Soutos Os Cavaleiros", mas só no dia 18 de Outubro foi apresentada ao público. Constituída por 31 sócios fundadores, tem como objectivo preservar os soutos e promover a castanha, fazendo dela a marca distintiva do concelho.
O MAIOR POTE DE FERRO DO MUNDO
Já foi inscrito no livro Guiness e bate o record dos potes. Tem uma altura de 2,10 metros, uma boca com 1,60 metros de diâmetro e capacidade para 1000 litros. A iniciativa pertenceu à organização da Norcaça & Norpesca, sedeada em Bragança, com o objectivo de promover a caça e a gastronomia a ela ligada. No dia da apresentação funcional, o pote cozinhou 700 quilos de carne de javali satisfazendo o apetite a cerca de 2000 comensais. Para mexer "o cozido" foi inventado um engenho apropriado. Também se tornou necessário fazer um molde especial para a fundição em Albergaria a Velha, onde o pote teve de ser fundido. Enfim, um grande pote, capaz de fazer inveja aos potes grandes das cozinhas das nossas avós.
HOMEM E BURRO ATROPELADOS
Aconteceu em Carção,Argoselo, concelho de Vimioso, na estrada nacional nº 218. Um camião abalroou o homem que cavalgava o burro e do choque resultou a morte de ambos. O homem chamava-se Aníbal do Nascimento e tinha 76 anos. Esta estrada, muito utilizada por animais e máquinas agrícolas, torna-se perigosa devido ao seu traçado sinuoso e falta de sinalização apropriada
MORAIS HOMENAGEOU A PADROEIRA
Aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, Morais, durante três dias esteve em festa. Quermesse, conjuntos musicais, feirantes, turistas, festeiros, encheram a terra de movimento, de sons, de alegria. Cerimónias religiosas e uma luzidia procissão com oito andores honraram Nossa Senhora da Oliveira, a padroeira mui amada das gentes de Morais.
MIGUEL TORGA RECORDADO EM PARIS
Integrada nas Comemorações Centenárias do escritor transmontano, a Fundação Gulbenkian realizou, em Paris, nos dias 17 e 18 de Outubro, um colóquio sobre a obra de Miguel Torga. Foram enviados convites especiais a professores de todas as universidade francesas onde se ensina o Português. Eduardo Lourenço, Manuel Alegre e a filha do escritor, Clara Rocha, foram participantes. A língua utilizada foi o Francês.
AS CORRIDAS DE AUTOMÓVEIS EM VILA REAL
Após 16 anos de interregno, provocado por um grave acidente que matou quatro espectadores, nos dias 5,6 e 7 de Outubro foram reatadas as tradicionais corridas de automóveis. Milhares de pessoas ( fala-se em 40, 50 e mesmo 70.000 espectadores ) esgotaram as disponibilidades de alojamento num raio de 70 quilómetros e encheram de movimento entusiástico as estradas da região e as ruas da cidade. As várias provas decorreram sem incidentes, nem acidentes e a organização revelou-se eficaz e à altura das exigências do espectáculo. Os vilarrealenses voltaram a respirar o orgulho de outros tempos e ao sucesso do 40º Circuito, vão responder, já em Junho do próximo ano, com a realização do 41º Circuito Automóvel de Vila Real.
PESSOAS
Ricardo Matosinhos
É natural de Valpaços. Aos 14 anos ingressou na Escola Profissional de Arte de Mirandela, cursando música em instrumentos de sopro. Tem 25 anos, passou por várias orquestras, tem ensinado música em várias escolas e colégios, toca em grupos. Acaba de ver reconhecido o seu talento ao ser premiado com o 2º prémio na categoria de trompa, nível superior, na 21ª edição do Prémio Jovens Músicos 2007, iniciativa da Antena 2. Parabéns.
"Morreu o António Cabral. Morreu esta madrugada (23/10/2007) e o funeral éamanhã na igreja de N.S. da Conceição, às 15 e 30".
Foi com estas palavras que o Dr. Barroso da Fonte me anunciou a morte do amigo comum. O anúncio não teve o efeito do choque – atravessada a fronteira dos 70 a porta está sempre aberta para receber sem surpresa notícias destas – mas deixou-me na alma o lastro de uma tristeza bem funda. E regressei, em viagem fugaz de saudade, ao passado distante, quando o Cabral me escolheu para actor de um drama que escreveu e foi representado, no Seminário, nas férias do Carnaval, (1947)ao início da sua carreira poética, quando me lia poemas que fazia, me perguntava se gostava e depois guardava num caderno escolar, quando, em vão, porque o poeta nasce e não se faz, quis teimosamente fazer de mim um poeta, quando me acolheu em casa dos pais para me dar a conhecer a sua terra, Castedo do Douro, que ele havia de cantar tão bem e durante toda a vida, ao tempo em que empreendemos, igual caminhada de generosidade e esperança que havia de revelar-se sem futuro porque fora iniciada com passadas de ilusão.
Sendo António Cabral, por mérito próprio, um dos mais ilustres transmontanodurienses e, como tal, credor do nosso orgulho regionalista é, sobretudo, o sentimento triste de ver o amigo partir, que, neste momento, me domina.
Toda a gente ligada à cultura, sobretudo em Trás-os-Montes e Alto Douro, conheceu António Cabral, (António Joaquim Magalhães Teixeira Cabral) a sua obra e a sua actividade.
Poeta, romancista, ficcionista, investigador, jornalista, dramaturgo, ensaísta, sacerdote, filósofo, professor, explicador, animador cultural, funcionário, fundador de serviços culturais e revistas, empreendedor de eventos culturais diversificados, estudioso, organizador e entusiasta dos jogos populares tradicionais, viajante ilustrado, amante de farras e tertúlias, sportinguista, marido amante e pai dedicado. E ficaria agora tempos infindos a falar desta personalidade eclética e grande… Mas não. O silêncio clama. Que descanse em Paz.
À esposa e às duas filhas, a viver horas de natural amargura, se estas palavras lerem, apresento sentidas condolências e as homenagens formais da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, de Lisboa.- Armando Jorge e Silva.
EVOCAÇÃO DE TRINDADE COELHO
Nas minhas deambulações pelas ruas de Lisboa, encontrei em alfarrabista um livro de ensaios de Mons. Moreira das Neves. O título "Camilo tal e qual" interessou-me e comprei. O último capítulo fala de Camilo e Trindade Coelho e, na última folha, o
autor escreve:
Se o nosso leitor desejar ver a "ampla mesa de pau preto", as "duas estantes de madeira da mesma cor" e "a cadeira negra de espaldar de couro com pregaria", onde Trindade Coelho, o exímio contista transmontano pôs termo à vida, desloque-se à Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, Lisboa. E no silêncio da alma faça uma prece ou, se preferir, uma simples evocação memorial.
Enquanto estou a escrever esta crónica ainda decorre o Ramadão. Como todos sabem o Ramadão é um período de jejum dos muçulmanos que decorre durante cerca de um mês não podendo alimentar-se, os seus crentes, no tempo que decorre do nascer ao por do Sol. Faz parte das obrigações dos bons muçulmanos. Para alguns o período de jejum, e o sentimento da fome, faz-lhes pensar nos que têm fome e por isso se obrigam a contribuir para alimentar os pobres.
Para evitar riscos de não cumprimento, existem tabelas que indicam a hora, dia a dia, a partir da qual se pode fazer uma refeição. Já tinha estado várias vezes em países de religião muçulmana durante o Ramadão mas não tinha reparado na sua influência no quotidiano como assisti na Turquia. A primeira, e muito visível para um turista, é o anúncio em muitos restaurantes de preço especial para o “Iftar”, com indicação de preço fixo, e promocional, com a composição da ementa. Obviamente sem álcool. “Iftar” é o jantar que se segue ao período de jejum diário. No fim do Ramadão têm ainda um dia especial, que é o dia da quebra do jejum. Sem querer comparar podemos associar a Quaresma com o final no Domingo de Páscoa que é um dia de grandes comemorações gastronómicas.
Tive a sorte de ser convidado para participar num “Iftar” organizado diariamente por um negociante de tapetes. Nesta refeição estavam presentes para além do anfitrião, os seus trabalhadores e outros colaboradores, familiares e amigos. A refeição começou religiosamente às dezanove horas e dois minutos, conforme referia a tabela.
As mesas foram improvisadas pois o número de convivas ultrapassava a vintena. Não havendo lugares diferenciados as pessoas iam-se sentando à volta das mesas conforme iam chegando. Estava já colocado na mesa o pão, baixo e de mistura de farinhas, e uma salada de alface e tomate. Depois cada lugar tinha um prato, um copo, e uma colher e um garfo.
Foi colocado à frente de cada um de nós um prato alto com sopa: Sopa de Galinha com Aletria que vinha acompanhada com meio limão. O anfitrião avisa-nos que o limão é fundamental para o gosto da sopa e que cada um deve espremer a quantidade que entender. A sopa parecia um puré de cor clara. Provei sem limão e depois comi com limão. De facto a acidez do limão ajudava a compor o gosto final. Enquanto comia, e porque as conversas fluíam com entusiasmo, não tive coragem de perguntar como se fazia esta sopa. Já terminada a refeição lá perguntei ao dono da casa, que me confessou ter sido ele a confeccionar, a receita. No meio de um inglês pouco fácil remeteu-me para um amigo, e conviva do jantar, que me explicasse a respectiva confecção. Julgo ter anotado com cuidado e assim: cortam-se cubos da carne branca de frango que se alouram em manteiga até ficarem apenas selados. Regam-se com caldo de carne com muita abundância e quando estiver a ferver junta-se aletria para cozer em conjunto. Junta-se massa de pimentão picante e tempera-se com sal e pimenta. Deixa-se ferver até estarem o frango e a massa muito bem cozidos. Retira-se do lume e reduz-se a creme com uma varinha mágica. Serve-se com sumo de limão.
Não sei se a receita está completa. A sopa que lá comi estava deliciosa.
Depois foi servida uma taça grande de arroz branco, coberto de um apurado picado de cordeiro. Cada um com garfo ou colher retirava uma porção. Não havia pratos individuais, mas também não havia discussão dos pedaços retirados.
Para terminar os famosos Baklavas, doce típico turco que consiste num pequenos rolos de massa folhada recheados de frutos secos trabalhados com mel. Alguns acreditam que tem poderes afrodisíacos!
Para beber apenas água e refrigerantes, e no final o tradicional chá vermelho da Turquia.
Mas mais importante que a própria comida foi o acto de comer em conjunto. A forma como decorreu o encontro, valeu mais que o valor gastronómico da refeição e o quase festejo de se alimentarem depois do sacrifício imposto pela religião. Que confessam não ter sacrifício, algum expressando-se com convicção. Curioso notar que um elemento quase não comia. Discretamente interroguei-o e disse-me que não tinha muita fome pois cumpria pouco com aquela prática religiosa. Afirmava, nos seus vinte anos, que tinha descoberto os prazeres da vida…!
Estas questões de religião são sempre difíceis de abordar pois começa-se sempre por uma questão de fé. Naturalmente sem discussões. O curioso é observar como todas as religiões interferem, e sobretudo marcaram, nos hábitos alimentares em todo o mundo.
Concretamente a carne, que é um dos alimentos mais valorizados, é em simultâneo o produto mais perseguido, com mais medos, e mais proibido. Da mesma forma que é dos produtos mais exultados, e continuando a ser um elemento identificador da gula.
Se o cabrito, borrego ou cordeiro são dos animais mais aceites e glorificados na alimentação de várias religiões, o porco é o mais banido.
Cá por Portugal, ou por razões económicas (o porco faz parte dos alimentos de subsistência), ou por observação ou provação para denúncia dos judeus, elevámos, e com muito saber e múltiplos sabores, o porco a elemento permanente da nossa culinária regional. E mais com honras de alto pedestal, utilizando da ponta do focinho à ponta do rabo. E as suas entranham também.
O porco foi o principal elemento diferenciador entre os cristãos de um lado e os muçulmanos e judeus do outro.
Hoje em dia para muitos a religião passa pela estética do corpo e as carnes e outros alimentos são trocados por vegetais e muitas vezes por pouca comida… e com a ausência dos seus prazeres.